Espera Repentina

09/07/2009 Colunas - Gritos do Nada

Num desses dias de muito tesão e muito preguiça
Vou querer escrever algo que fale o que sou
Como estou, e porque ainda estou aqui
E sei que não vou saber o que falar

Num dia desses de chuva fina e leniência grossa
Quero poder fazer o que faço melhor, e sorrir
Quero ser apenas mais um no muro, só por esse dia
E não pensar no caminho, nos passos que vou dar

Nesse dia, se ele vier, quero estar calmo, tranqüilo
Como se pudesse morrer, como se pudesse sorrir
Nesse dia eu vou te chamar de amigo, e mentir novamente
Quando chegar esse dia, acordarei sem alarme, e só lavarei o rosto

Quando ainda faltam 779 caracteres, percebo que quero mais
Aumento sem perceber o tamanho das linhas, enfiando mais palavras
Quando chegar o dia de findar esse trabalho, quero ser como você

E quando ele acabar, e eu ainda estiver de pé, quero lembrar desse dia
Vou ser só eu nesse dia, será só a minha história nesse dia, serei eu
Tatearei meu bolso, comerei minha bala de iogurte, e seguirei
Quando chegar esse dia, e ele passar, quero a normalidade dos dias

Só sou eu quando sou inteiro, só sei eu quando mergulho inteiro
E esse dia, que será passado, não sei quando vai chegar, nem se vai chegar
Nesse dia terei passado tudo que quero passar, e depois esfriarei de novo
Sou morno nessa vida de expectativa, sou louco nessa espera repentina…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: