Acordo e ouço passos marcados pelo corredor
É só mais uma madrugada fria do meu horror
A maca dura, a notícia dura… Não importa mais
Só ouço os passos e os bips-bips dos aparelhos…
Bip bip bip
Já não sei o nome da doença, não lembro qual o hospital
Tento me sentar e não consigo, tusso outro naco de sangue
Sorriu um sorriso vermelho, dentes amarelos, pele sem cor
Olho a maldita linha verde subir e descer e os bips da minha dor
Bip bip bip
Não existe salvação no novo remédio ou na seringa que vão me espetar
Tudo é um adiamento… A morte sentada no meu quarto sorri ao me olhar
Corredor da morte aqui chama UTI e outro dia é só o abrir e fechar das cortinas
Durante o dia me apago e no silêncio noturno o som da minha vida me enlouquece…
Bip bip bip
Seguro o choro… perco o fôlego, enquanto me negam o simples desligar
Não quero durar mais outra noite, não me importa se a liberdade vai me matar
Na madrugada fria ouço passos no corredor, um homem sem jaleco vem a mim
Com a mão sobre minha testa tira fio por fio… sorrio agradecido pelo meu fim…
Bip bip biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
