Passos no Corredor

23/02/2013 Gritos do Nada

Acordo e ouço passos marcados pelo corredor
É só mais uma madrugada fria do meu horror

A maca dura, a notícia dura… Não importa mais
Só ouço os passos e os bips-bips dos aparelhos…

Bip bip bip

Já não sei o nome da doença, não lembro qual o hospital
Tento me sentar e não consigo, tusso outro naco de sangue

Sorriu um sorriso vermelho, dentes amarelos, pele sem cor
Olho a maldita linha verde subir e descer e os bips da minha dor

Bip bip bip

Não existe salvação no novo remédio ou na seringa que vão me espetar
Tudo é um adiamento… A morte sentada no meu quarto sorri ao me olhar

Corredor da morte aqui chama UTI e outro dia é só o abrir e fechar das cortinas
Durante o dia me apago e no silêncio noturno o som da minha vida me enlouquece…

Bip bip bip

Seguro o choro… perco o fôlego, enquanto me negam o simples desligar
Não quero durar mais outra noite, não me importa se a liberdade vai me matar

Na madrugada fria ouço passos no corredor, um homem sem jaleco vem a mim
Com a mão sobre minha testa tira fio por fio… sorrio agradecido pelo meu fim…

Bip bip biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii                                                                             

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: