Encaro um coração aflito empunhando um copo de café amargo e frio como se fosse uma afiada espada. Sem escudo. Quando se ama não se tem seguro. Encaro um pequeno músculo do tamanho de um pulso fechado. Corpo fechado, quando se ama não tem escudo.
Esses dias eu a vi com outro no instante de um eu te amo solto. Apoiava os pulsos em seus ombros ensaiando um enlace no pescoço. Um quase abraço.
Dizia um cotidiano, pausado e despretensioso, eu te amo para outro rapaz. Segui a curva, meu caminho, como quem finge que não vê e torce para não ser visto.
Fiquei feliz por saber que o amor acaba e que nossas maldades se reciclam. Amar é não ter escudo, estilete com veneno. Corações preguiçosos não vivem, sinta a carne destroçando, o veneno pode ser saboroso.
