Não sei se passei o semestre inteiro a me preocupar
Em muitos momentos assumi, sobre as notas, um tom blasè
E no fim me restou essa tela com colunas, nomes e notas
E espero, quase morrendo, a atualização que nunca vem
Maldigo todos os nomes que estão por trás dessa louca demora
E rogo que nenhum deles, professores, maldiga o meu por engano
Nunca as notas vêm juntas, sempre em separado.
E quase sempre vem primeiro as que já tinha certeza
Se perdi dias fazendo trabalhos? Sim, mas nunca sei
Se o tempo que perdi foi suficiente pra passar
O medo, eu juro, não é apenas do fracasso e da repetição
Nem do exame, enquanto todos já veem TV em casa
O medo é de voltar pra sala e ver a cara do professor de novo
E procurar no seu rosto a sombra de um sorriso sarcástico
Lembro das brejas que tomei e dos dias que disse foda-se!
E de quanto me arrependi quando a prova me veio a mão
Também lembro dos roles que não fui, das noites que perdi
E dos sábados de manhã em volto em livros e anotações
Tudo pára! A página carrega as últimas notas. Prendo a respiração
Fecho os olhos e quando os abro é pra ver que não…
Não foi dessa vez que vou ter que voltar!!
Então FODA-SE! ATÉ SEMESTRE QUE VEM!
