Deveria parar de me entupir de café durante o dia…

24/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

É madruga já, madrugada alta, como dizem os antigos, o sono (maldito seja!) me abandonou novamente.
O melhor travesseiro, a cama mais confortável, um disco do Coldplay (estou até apelando) e nada o sono não chega. Meu corpo cansado pede descanso, mas os olhos ficam abertos, a cabeça trabalha, incessante, frenética, caótica. Odeio ter insônia.

O frio não ajuda muito, sinto vontade de me mexer pra espantar essa inhaca de frio, levanto, vou até a cozinha, tomo outro copo de leite (já foram 3) e nada, volto pra cama com a mesma disposição.

Devem ser esses pensamentos ditosos que tenho durante o dia, de milhares de coisas que tenho que fazer, que quero fazer, e o dia não deixa.

Pode ser também essa coisa da castração que o dia dia enfadonho deixa na gente, tudo parece meio repetição, e por isso sentir tesão (pela vida eu digo, não por sexo) é tão estranho quanto um sorriso do Serra.

A insônia é um tipo de sono sem sonho, sem descanso eu acho. Me sinto moralmente cansado, fisicamente cansado e fazer qualquer coisa é impossível. O corpo, cansado, para, os olhos ardem e fica só o cérebro me fudendo o sono, me lembrando dessas coisas idiotas que o sono devia fazer esquecer…

A insônia é um desses parceiros de jogar alguma coisa que sempre ganha de você sabe? Que você continua jogando contra na vã esperança de vencer, mas não tem chances.
Todos os dias eu luto contra a insônia, tem dias que ela, por vencer-me tão facilmente, não vem jogar, mas nos dias que ela vem eu tento de tudo e percebo a derrota só quando a claridade amarelada do dia entra pelas frestas da janela.

Também é meio culpa minha eu acho, tomo coca-cola, bebo muito café, ai a insônia vem e eu não consigo vencer…

As vezes eu penso que deveria parar de me entupir de café durante o dia, mas já me tirei tanto vício, não fumo mais (só as vezes), não bebo mais com a mesma freqüência (quase diária) de antes, não me permito mais as fungadas e outros fumos, não vou abandonar o único vício que me restou, não posso deixá-lo.

Portanto se a culpa da insônia, essa maldita, é do café… bom melhor eu começar a me acostumar, porque suportar o dia sem nenhum vício vai ficar impossível.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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