O que restou…

21/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Agora sou o que me restou
Sujeira que enfeita o prato
Sou um pouco mais do que sou
E sou bem menos do que acho

E num dia de calor chuvoso
Numa tarde qualquer, perdida
Sou a sombra de um riso gostoso
Que se esvai no rosto da vida

Me perco e me refaço outra vez
Sou obra por fazer, mal-acabada
E é nas horas em que a noite é balada
Que sou todo, inteiro e de mim um refém

Sem perceber me termino nos cantos
E como tem sido fácil me perder
E é nas noites laranjas com guitarras em prantos
É que a vida corre fácil, e me obriga a correr…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: