Achei que era névoa o vapor que subia da gente
Cada lado da cama molhado de suor e nossa ofegância
era o único som a cortar o silêncio daquele quarto
… deixei-me enlouquecer pelos carinhos que destoaram
as cores do escuro total para uma combinação de vermelhos
junto com a sua delicadeza animal, tão envolvente e fatal.
E mesmo assim eras só meu último erro
Ou era ainda só mais outra em outra noite
Naquele momento, pequena, só podia me fazer sorrir
Mais noites passaram entre as paredes vermelhas
E então você já sabia me fazer sofrer, me irritar
Tinham noites em que não mais nos bastávamos
Lutei com o mundo, com o inevitável
Sonhei, dentre lágrimas, fugir contigo
Pois a realidade lhe bateu a porta primeiro
E virei o viúvo de um sonho falido
E no fim ficou claro que nada estava certo
As primeiras noites foram sublimes demais
E nada tão lindo resiste a realidade
Sonhar com você já não sonho
E sorrindo ainda posso lembrar
Das noites perdidas entre o desencontro
Das nossas mãos e dos carros na rua…
Imagem: Nan Goldin. Valérie in the mirror, L’Hôtel, Paris, 1999
