Bloco de Notas UM

07/11/2009 Colunas - Gritos do Nada

Dai eu olhei pro Bloco de Notas…
Sabe, ainda num sei porque meus poemas escrevo nele.
Deve ser pela simplicidade, pela falta de recursos
Assim como ele os meus poemas são simples, simples e pobres

E hoje não desejo dizer nada de novo, entende?
Só queria saber o que meus dedos querem falar
Os joguei sobre o teclado e fiquei a espera
E eles começaram, quase sozinhos, a digitar

E eu, que vi amores nascerem e morrerem
Eu que assisti amigos partirem e voltarem
Que já toquei pessoas em tantas oportunidades
O que hoje mais queria era ser tocado

Não esse toque vulgar de quando alguém te pede licença
Ou quando alguém esbarra contigo no busão
Mas o toque de um pedinte cantando uma musica velha
Um belo sorriso, uma gargalhada, um pouco de emoção

Nesses ternos velhos que ainda uso (isso é uma metáfora tá?)
Já nem sinto mais a graça que sentia
E dos meus olhos brota o resultado desse desuso
Queria voltar a ser o cara que na foto sempre sorria

E ainda sou, mas não sinto mais
E agora, depois de começar a escrever sem vontade
Disse a mim mesmo tanta coisa, tanta meia-verdade
Que, perdão platéia, agora eu vou parar…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: