Chuva no Deserto Estelar

11/08/2016 Gritos do Nada

Meus olhos chovem
Pelas palavras que não ouvi
As que queria e as que deveria

O silêncio penetra a sala
E sua neblina densa
Deixa o óbvio invisível

Que se perde
Entre justificativas
Desimportantes

A boca desértica
Procura na memória
O oásis do seu beijo

E sacio o cio nas memórias
Agora enegrecidas
Pelas palavras tóxicas

O diálogo é breve
E poluído
Cheio de silêncio sem sentido

E 1 metro de distância
Viram anos luz
De qualquer lugar

Um buraco negro
Sugou nossos suspiros
Deixou-nos então a bufar

Queria jogar fora
Essa mágoa pesada
E flutuar no seu seio

Atrair seu corpo celeste
Pra minha gravidade
E dançarmos no vácuo

Em nossas órbitas oblíquas
Juntar-se num abraço
Que nos aniquila e nos funde

Mas hoje sou aquele ruído
Um zumbido fraco e intermitente
Que só irrita e é errado

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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