Está decretado: Só tá vivo quem tá online
E caça no Tinder um corpo pra masturbação
Procura no post um tema pra problematizar
E se ofende por besteira pra gerar indignação
A rede social não é rede é quase espelho
A bolha cria narcisos que são sempre certos
Que se perdem nas disputas sem sentido
Do post inofensivo do amigo do amigo
Offline é outro mundo, outras regras
E a gente mistura os mundos no Stories
Evadimos as conversas com o print
E reclamos de quem cuida da nossa vida
E que vida que vivemos afinal?
De tirar 30 selfies pra postar uma
De forçar o sorriso pra fingir alegria
Na festa em que ninguém se fala
Mas passa um pano… ou passa o dedo
Sobe a tela e esquece… Já se foi.
Todo mundo sabe tudo, é verdade.
Mas ninguém sabe mais como lidar
Sobe a tela, ri, se revolta, abri o gift
A vida tá mais fácil aqui onde controlo
Melhor me jogar na caixinha na minha mão
E fingir que é vida a sequência no stories
Mas passa o dedo, sobe a tela…