Outra Noite em Claro…

11/09/2009 Colunas - Gritos do Nada

Passei sim mais outra maldita noite em claro
Procurando a cada esquina um pouco de razão
Separando as pernas pra mijar… bêbado, sempre…

E surpresa!! Não encontrei novamente nada…
A não ser eu mesmo… e meus pedaços pelo chão
Já não lembro o que bebi, e nem com quem bebi…
E só sei que bebi porque sinto o gosto a cada tosse.

Ainda corro pelas noites quase sem perceber
Mesmo sabendo que nada vou encontrar…
nenhuma novidade existirá pra ver, nada irá me tocar
A não ser o que já estou cansado de ver e escutar

Eu choro às vezes, isso posso falar…
Mas não crianças, não molho a franja
Não borro a maquiagem, não sinto vontade de cantar
Não tiro fotos pra publicar… me escondo de mim mesmo!

E lá estou novamente, me olhando no espelho do boteco
Não tem água pra descarga, só tem água na torneira…
Lavo as mãos, e se estivesse são, quem sabe…
Poderia ter nojo de pegar na torneira, de me sujar

Mas não estou, novamente não estou…
E nem queria estar, quem se estivesse são
Não dormiria o caminho todo pra voltar
Quem sabe, se estivesse são, não iria voltar pra cara

A beleza de beber, é como quando tomamos morfina…
Sabemos que a dor está lá, mas não sentimos mais…
Queria mesmo acreditar que isso é melhor, que é feliz
Mas mesmo bêbado sei que o efeito vai passar
E não haverá mais motivos, nem mesmo pro bêbado sorrir

Eu sei que o fogo vai passar, que a dor de cabeça vai chegar
Sei muito bem que amanhã o mundo caíra sobre mim…
To sabendo que o sol arderá meu rosto, e meus olhos vão arder
Sei que preciso parar… mas esse dia eu vou adiar…

Sei que toda manhã as bebidas vem cobrar
O mau que me fizeram esquecer… mas quer saber:
Melhor momentos de sublime loucura etílica, com dores pela manhã…
Do que apenas as dores pela manhã…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: