Passei sim mais outra maldita noite em claro
Procurando a cada esquina um pouco de razão
Separando as pernas pra mijar… bêbado, sempre…
E surpresa!! Não encontrei novamente nada…
A não ser eu mesmo… e meus pedaços pelo chão
Já não lembro o que bebi, e nem com quem bebi…
E só sei que bebi porque sinto o gosto a cada tosse.
Ainda corro pelas noites quase sem perceber
Mesmo sabendo que nada vou encontrar…
nenhuma novidade existirá pra ver, nada irá me tocar
A não ser o que já estou cansado de ver e escutar
Eu choro às vezes, isso posso falar…
Mas não crianças, não molho a franja
Não borro a maquiagem, não sinto vontade de cantar
Não tiro fotos pra publicar… me escondo de mim mesmo!
E lá estou novamente, me olhando no espelho do boteco
Não tem água pra descarga, só tem água na torneira…
Lavo as mãos, e se estivesse são, quem sabe…
Poderia ter nojo de pegar na torneira, de me sujar
Mas não estou, novamente não estou…
E nem queria estar, quem se estivesse são
Não dormiria o caminho todo pra voltar
Quem sabe, se estivesse são, não iria voltar pra cara
A beleza de beber, é como quando tomamos morfina…
Sabemos que a dor está lá, mas não sentimos mais…
Queria mesmo acreditar que isso é melhor, que é feliz
Mas mesmo bêbado sei que o efeito vai passar
E não haverá mais motivos, nem mesmo pro bêbado sorrir
Eu sei que o fogo vai passar, que a dor de cabeça vai chegar
Sei muito bem que amanhã o mundo caíra sobre mim…
To sabendo que o sol arderá meu rosto, e meus olhos vão arder
Sei que preciso parar… mas esse dia eu vou adiar…
Sei que toda manhã as bebidas vem cobrar
O mau que me fizeram esquecer… mas quer saber:
Melhor momentos de sublime loucura etílica, com dores pela manhã…
Do que apenas as dores pela manhã…