Pelas Escadas Rolantes – Estamos Todos Sozinhos

10/07/2013 Gritos do Nada

Eu peço perdão a cada vez que esbarro, como quem pede desculpas por existir
Sem olhar nos olhos cada um segue calado. Olhos mortos em gente viva

Sigo o corrimão e tomo cuidado, não quero tocar alguém e não poder sorrir
Desço e queria soluçar, pois lembro que esse martírio é só o caminho de ida

A porta abre, a manada entra, todos ficam grudados, mas em mundos distintos
Cada um no seu mundo, ignorando o próximo, mas perto pra ouvir a respiração

A porta se abre, a manada parte, a calma e a educação são conceitos extintos
As escadas sobem e descem, as pessoas se movem em qualquer direção

Eu digo boa tarde, mas é tão automático que ao me ouvir nem parece que fui eu.
Tem gente que balbucia uma resposta qualquer, a maioria só balança a cabeça…

A escada me leva pra cima, e lá a claridade machuca os meus olhos…
A garoa rasga a pele do meu rosto, mas não importa o meu deus é o relógio

CHIIP DA CLARO, DA VIVO E TIIM!” Gritam umas moças com desânimo e tristeza
Aperto o passo, soco o fone no ouvido, me jogo pra dentro de qualquer canção

Como me jogaria pra fora disso tudo e por qualquer outra coisa, com certeza
É cansativo viver a vida servindo as vontades de todos e as minhas próprias não

Um mendigo grita pra cada pessoa e cada um finge sua surdez momentânea
Ele ri dos nossos sustos. Sua prisão é um mundo aberto e uma mente em desalinho

Prédios, crachás, horários, telefones e a tela: minha realidade subcutânea
No mundo lotado e nas milhares de ligações/e-mails me dou conta: estou sozinho.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: