Somos todos inocentes?

20/05/2013 Gritos do Nada

O dia se arrasta, se alastra a preguiça
Dia que não passa. Vida onde não se arrisca

Mentiras são contadas e fingimos que passa
Pois não se contesta pra não ser contestado

Julga-se o outro, sabendo ser julgado
E nós, os inocentes, cometemos nossos crimes
Pois desde sempre já somos condenados

E a prisão é a rua cheia e o bolso vazio
O dinheiro de plástico, os sorrisos de Bombril

A prisão é a cara cheia e o som alto
E essa asquerosa alegria que nos toma de assalto

A prisão é a mente vazia, a bebida barata
E a certeza de que nunca há o que dizer

A prisão é o mundo cheio de possibilidades
E a “certeza” que a vida é só esperar pra morrer

E a mentira é recontada TODO DIA!
E cada dia é menos verdade e é mais acreditada

A liberdade canta uma canção em uma língua intangível
Que o som alto dos carros não permite ouvir…

A liberdade sussurra um segredo impossível…
Não escutamos…
Mas ouvimos a fala ininterrupta de quem não tem o que dizer

A liberdade se esconde no som suave do pneu no asfalto
E quem liga?… A verdade é que o bom mesmo é correr…

E corremos porque todos que vivem, vivem fugindo
Das verdades ou das mentiras? Sei lá.

Até porque…

O dia se alastra e se arrasta de preguiça
A vida não passa e a gente nunca se arrisca…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: