Quase meio dia, o sol quase nos mata
Um tiro e uma corrida, um roubo de 7 reais
… um senhor morreu baleado na rua do lado
Não se sabe se foi vingança, a polícia certa com fitas o local
Cobrem com jornais o sangue que corre grosso pra sarjeta
Porque um senhor morreu baleado na rua ali do lado
Sem glórias nessa morte, um corpo solitário sem choro
O burburinho conta uma história sem pé nem cabeça
Hoje um senhor morreu baleado na rua do lado
A esquina vira palco, sem espetáculo, só plateia
Fingimos indiferença com um nó na garganta
Porque um senhor morreu baleado na rua do lado
A morte nos deu “olá” na rua quase aqui do lado
E a gente foi almoçar como senão tivesse nada
Pobre do senhor, morreu baleado na rua ali do lado
