Confissão de amor

14/01/2013 Sonhos Viciados

Nunca me senti tão jovem, mesmo chegando perto dos meus quarenta anos. Nunca estive tão certo, mesmo com minha estante repleta de diplomas de enganos e frustrações.

Já não me encanta tanto meu trabalho, meus desenhos estranhos e esses textos mínimos, me empenhei nesses anos na doce tarefa de catalogar seus suspiros, pequenas variações de gemidos e uma infinidade de sorrisos.

Meu arquivo aumenta a cada giro no relógio e dia medíocre, milhares de imagens, cheiros, áudios. Ainda não sei o uso disso tudo, mas assim vou indo, com café da manhã, leite, pãozinho. Um carinho trocado no meio da noite. Ainda não sei o uso disso tudo.

Esses dias ouvi uma confissão de amor, o bastante para desprezar todas as outras que ouvi até hoje. O melhor sexo dos últimos 5 anos, o melhor beijo que teve, o cara mais pervertido.

Nunca estive tão jovem, tão certo. Ela disse:

– Eu só quero errar o caminho.

Um cara entre vielas cheias de gente e ônibus lotado. Que se perde em alguns bares e se põe a ver a velocidade dessa gente. E rir da estupidez dessa lógica.

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