Certa vez me apaixonei pelos becos de uma mulher.
Aceitei o jeito que ela diz bom dia. Ou quando era mais moço o modo que ela me enchia de esperança.
Era uma moça, dessas que se vê por ai, com suas manias, inseguranças, temperamento instável. Com dias de festas, outros sombrios e alguns de rejeição.
[quote_right].. que fere, ama e também dá uns carinhos.[/quote_right]
Me peguei varias noites clamando pelo beco mais profundo, mais estranho e inatingível. Me peguei sonhando em ser herói no seu faroeste tropical ou arco e flecha pra dobrar suas derrotas.
Mas era só uma mulher como qualquer outra, que fere, ama e também dá uns carinhos. Hoje ela me é indiferente, como as Marias, Marlenes, Joanas e Brunas.
Já não passo a noite clamando pelos becos e reentrâncias dessa moça, que tem nome e tem gente que chama de mãe. Mãe pátria, nação, Estado. Penso nisso como uma moça, que tem suas manias, temperamento e dá seus carinhos de troco. As vezes dá saudade e penso nos seus becos. Como um amor de verão que guardo com carinho, mas que não aquece nenhum coração.

Seus textos são sempre surpreendentes. 😀
Eu particularmente curti a frase final, por causa do jogo de palavras:
“Como um amor de verão que guardo com carinho, mas que não aquece nenhum coração.”
Criativo e enfático.
Bjs 😉