Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
Sem Título (ou a falta que faz uma boa dose de esperteza)
Tomo um gole desse copo estranho,
que invade a garganta,
dilata as veias e me tira o sono.
Tomo uns desses xeque-mates do destino.
Com os olhos cruzados
e a boca ainda ardendo.
E nesse copo maldito,
tem todas as mãos que vieram ao meu
corpo.
De todas elas… as que se entregaram.
Das moças sem nome,
das divinas e puras e
até das putas com codinome.
Nelas perdi meus melhores minutos
Minhas mais sinceras gotas de suor
Meus pensamentos mais putos
Minhas idéias mais loucas
Nas saudades delas me perdi nas noites
Reclamando, como quem tem razão
Que de mim mal lembravam…
Sentado pelos bares, com o copo a mão
Tomo outro gole… e nem me lembro mais,
Se contei a tal história de todas elas…