03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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De mãos dadas….

08/08/2012 Gritos do Nada

Ele desceu aquela escada decidido
Seu sorriso reluzia mais que a careca
Os passos eram meio vacilantes, acanhados
Sorria para nós, mas sem reconhecer ninguém

Ficou um tempo olhando em volta
Todos os sorrisos de volta eram seus
Tenho certeza que pensou ser um sonho
E era um sonho, mas era real também

Foram longos os minutos até ela descer
E mais que uma mulher víamos um sorriso
Olhos nos olhos, mão com mão…
Só a certeza transbordava mais que a felicidade

Muitas palavras, uma história, sorrisos…
Eu não me lembro de nada além dos dois
E eram apenas os dois, fazendo votos
Jurando um amor que já é eterno…

Não, acho que nem mesmo eu estava lá de fato
Afinal como posso eu fazer parte do sonho alheio?

E eles subiram as escadas juntos
As mesmas escadas que desceram separados
E passarão a encarar o mundo juntos…
Mesmo mundo por onde já andaram sozinhos…

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Fê Fetiche

06/08/2012 Sonhos Viciados

As estudantes de moda voltam a freqüentar os bares capengas que amargaram um mês de solidão. Elas voltam pra humilde companhia de breacos e seres sem luz que sempre pedem mais uma dose no final.

As estudantes de moda trazem junto garotões sedentos por uma chance, uma noite e junto deles camisetas Abercrombie recheadas de bíceps e peitorais inflados por litros de leite ninho e derivados.

Todos sabem, elas trazem graça ao local conduzidas por tímidas doses de cerveja e euforia típica de suas idades. Calças wet legging. Batom rose e camisas xadrez. Daqui seis meses tudo volta ao normal.

Coxas tatuadas, shortinhos mínimos e corpos rijos serão memórias distantes dos fiéis frequentadores.

Vivienne Westwood, Herchcovitch, xadrez Burberry,
Fe-fetiche, Fê Fetiche é o apelido de uma delas.

As coxas tatuadas se escondem em mesas de plástico azul da cerveja sub-zero. Em mesas de um bar esquecido nas memória dos seus fiéis frequentadores.

Fê Fetiche cruza as pernas e beija sua amiga. Olá bom dia. A vida seria mais fácil assim.

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Dia difícil

02/08/2012 Gritos do Nada

Maldito Relógio! Não sei amaldiçoou o relógio ou tempo, hoje pra mim é tudo a mesma coisa.
Levanto e estou péssima, meu cabelo não fica bom de jeito algum e nem batom, hoje, eu quero passar…
Jogo o cabelo numa piranha, prendo num rabo de cavalo e foda-se, o mundo num é uma merda comigo?
Então não merece eu perder 5 minutos com secador e escova…

Olha com nojo o pão e a manteiga, tomo meu café com leite apressada… melhor assim, ultimamente tudo que como me infla como um balão.
O ônibus demora, como todos os dias aliás, mas hoje está demais, porque tem a conversa cheia de risinhos das meninas escolares e o som chato do fone do cara do lado.
O celular toca, uma mensagem… Ensaio um sorriso pra mensagem dele… como estou chata hoje!
Respondo protocolarmente: “Bom dia. Também te amo.” Mando e me arrependo… uma merda.

Chega o ônibus, lotado. Fico pensando porque não fui a pé mesmo… Sento, mas sento do lado onde está batendo o sol…

No trabalho não sabem se tiram sarro por eu estar sem maquiagem ou por estar com o rosto vermelho do sol, o dia vai ser longo com certeza.
Não estou para conversas hoje, e justo hoje todos parecem querer conversar… Todos os assuntos são chatos, incrivelmente chatos…

Amasso um papel, jogo no lixo, ele não está lá, a tia da limpeza trocou de lugar sem me avisar… minha vontade é pegá-la pelos cabelos, mas respiro fundo e pego o papel no chão, com todos rindo da minha falta de mira…

O dia passa tão devagar quanto possível. Parece mesmo impossível ficar aqui, ou em qualquer lugar… E bate de novo o arrependimento pela mensagem que mandei de manhã, mando outra: “Preciso de vc
Ele responde algo sobre o horário do trabalho, a gripe, estar cansado… fico puta.

A noite cai fria, banho, uma roupa velha e perco o resto do dia na TV. Mas toca a campainha, e é ele…
E tudo se desfaz no abraço e no beijo na minha testa… Ainda estou chata, mas ele sabe rir de mim de um jeito que me faz rir também.
Faço manha, bico… ele nem liga, ri, me zoa, me beija, me mima, elogia mais, trás chocolate…
Detesto minha TPM… mas, nem tanto agora.

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Recordar é viver

27/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Ver-te no mar…

Verde é o marAo ver-te no marComo um musgo perdidoUma história conhecida Esperar, conhecerMe afogar, morrer!Me jogar, sem verFui até o fim, avancei Nas rochas molhadasEntre as ondas que batemOnde areia e águaé o mundo que vejo Perfeita sua falaQue me deu adeusNo mar, espatifadaMeu amor se perdeu Olho, me olha o marMolho, me molha […]

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Estatuto do poeta

Atenção Poetas da Silva: Está proibido viver de ilusão: A ilusão mata! É proibido supor! Ou é vida ou morte! Amor ou ódio! Não suponha! […]

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26/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Voa meu olhar…

Voa meu olharÉ como o ventoPara em você a admirarEm ti passeia lento Invejo o vento que me exasperaQue te toca sem ter mão Invejo o ventoPois não toco nelaE tenho medo de sonhar em vão Espero o tempoQue me revejaNão me apaixonar era ilusão! […]

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17/08/2011 Sonhos Viciados

Boêmia

Boêmia. Crack absoluto. Uma, duas e você ta viciado. Na terceira é o banheiro. Na quarta você ta em xeque. Dorian Gray amorfo. Um retrato. E você quer ser jovem para sempre Curtiba 24/07/2011 […]

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05/08/2011 Colunas - Gritos do Nada

No fim da noite…

Amo as noites em que fico alto Entre meus muitos goles de vinho Onde meu parceiro é o asfalto E sentir medo é sofrer sozinho […]

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21/02/2014 Gritos do Nada

Um senhor morreu na rua do lado

Quase meio dia, o sol quase nos mata Um tiro e uma corrida, um roubo de 7 reais … um senhor morreu baleado na rua do lado Não se sabe se foi vingança, a polícia certa com fitas o local Cobrem com jornais o sangue que corre grosso pra sarjeta Porque um senhor morreu baleado […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: