Bar das Putas

04/02/2010 Gritos do Nada

Era lá mesmo… Naquele lugar estranho
O bar cheio de pessoas esquisitas nos fazia pensar:
“Aqui, meu amigo, estranhos somos nós!”

A música a gente não gostava…
E nos arrependíamos do gosto da pizza…
Mas a cerveja… Ah a cerveja, sempre ela nos fazia ficar!

E a bebíamos desbragadamente, 8 garrafas cada…
Podem confiar, ainda havia sede em nossos corpos
Ok, talvez mais em nossas mentes que em nossos corpos

Sorvíamos o liquido amarelado com vontade de nos perdemos em suas bolhas
Mas o que mais sorvíamos eram nossas palavras
Atiradas nas paredes engorduradas do lugar…

Deus sabe o quanto quis canetas e papéis
O quanto precisávamos dividir pra conquistar
Deus? Será que ele sabe que a gente pensa nele nesse lugar?

Quase tudo trazia nossos sorrisos ao rosto
E mesmo as merdas eram motivo pra gargalhar
Não vamos nunca vencer os problemas
Como já te disse irmão: “sem problemas será fácil demais!”

E lá tomaram forma enredos do que passamos
E dessas histórias vem tudo do que nos conhecemos
Sei de certos medos, sabes de certas taras
Sei de desejos, sabes de defeitos…

Tudo a luz suja daquele bar…
Onde putas ainda dançam sem perceber
Que seu tempo passou…
Que não tem mais nada a perder

Pode mesmo até ser isso meu irmão
Toda a decadência das putas a se oferecer
Aqueles senhores bêbados sem noção
Nos fazem nos olharmos e perceber:

Não seremos como eles!
Seremos o que quisermos ser!

E no final tinha a tentativa de não pagar
Um ao banheiro, o outro à porta da esquerda…
Cada um saia por um lado, em ruas escuras
Onde só gatos velhos, putas e nossos sorrisos pareciam estar…

Perdi-me um pouco nessas noites no Bar das Putas
Um nome que um de nós deu sem saber:
Que toda vez que falar dele tem que explicar
“Não é um puteiro, é só um boteco ruim de conhecer”

E ele está lá, numa esquina esquecida…
Com a calçada suja, enegrecida
Lá estaremos de novo, com novos pensamentos a incomodar
E com certeza pelo menos 2 garrafas de cerveja pra brindar!

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: