Já não cabem definições pequenas
De pequenos paspalhos como eu
Já não são verdades as palavras
Nem sei direito mais o que é meu
São estranhas as linhas que vejo
Com palavras sem ritmo na oração
São ensaios de palavras sem medo
Que se levantam deste podre coração
Eu não vejo o futuro em minha mão
E nem sinto o vento a me empurrar
A fonte da juventude eu já não vejo
Com as esperanças de botox a bofejar
Quero agora um pouco de escuridão
Quem sabe pra dormir, pra descansar
Mas por favor não conte a nenhum cidadão
Que a escuridão eu uso pra chorar
E nos umbrais da sanidade eu não quero entrar
É escura a decadência de quem sonha sem se lembrar
Deixe-me com meus devaneios de claridade insofismável
Para que o branco da loucura me envolva com doçura
