Prexeca

19/09/2012 Gritos do Nada

Trabalhava o dia inteiro num repartição qualquer
Funcionário público de mais de 10 anos…
Sua função é desconhecida, nem ele sabe o que é

Xingava cada passo que dava pra ir ao trabalho
Esmurrava o despertador as 7 da manhã
Sobia a Cupêce aos gritos de “caralho”!!!

O dia era uma lenta tortura, intensa e vagarosa
Carimbava formulários e tomava café
Sorria apenas quando via a secretária gostosa
Que olhava ele com desprezo, um grande “mané”

Na hora de ir embora já estava ao lado do cartão de ponto
Ofegava, chorava, gemia pra ver o relógio correr
A quem perguntava, irritado, dizia ter um encontro
Do outro lado da rua um bom bar para beber

No balcão, meio pra fora, admirava babando
As meninas, mocinhas, que saiam do trabalho
Elas passavam, ele mexia, quase gritando
Nem se dignavam a responder a esse otário

Mas de todas as palavras que usava pra mexer
Que, entre risos, gritava, enquanto ajeitava a cueca
Tinha uma que falava com imenso prazer
Olhava nos olhos delas e dizia: prexeca.

Não importava o que vinha antes ou depois
Ele dizia prexeca sorvendo cada silaba
Era nojento ver aquele homem com tanta vontade
Dizendo uma palavra que às meninas ruborizava

Era o único prazer que lhe reservava seu dia
Na verdade pouco importava olhar a bunda das meninas
Seu prazer era apenas dizer a tal palavra
PREXECA, PREXECA PREXECA.

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: