Acordei ouvindo os carros e corriam dentro da minha cabeça
Dormi na sarjeta e por ela corre confete que escorre da rua
Por mais que não lembre, essa dor não deixa que eu esqueça
Acordei na rua com a ressaca quarta-feira de cinzas
De bermuda num mundo de calças jeans, guarda-chuvas e blusas fechadas
E fugiu da minha boca o gosto dos beijos e sobrou esse gosto pastoso
Minha cabeça parece explodir a cada passo e já nem sei pra onde andar
A vida segue seu rumo e eu sem rumo sigo o caminho do bloco que perdi
Leio as placas com seus nomes importantes: Teodoro, Calixto e Arcoverde
E espero achar minha sanidade nos confetes que escorrem pela sarjeta
As lojas exibem ainda sua decoração cafona, com serpentina descendo do teto
E na porta delas funcionários bocejam e denunciam sua vontade de sumir
E eu sumi, dentro de um táxi com o destino escrito a mão num papel velho
No meu destino troquei o bonho por cair de boca na cama dura e sem lençol
O som meio surdo da noite me levantou da cama… estou sem vontade de existir
Coço a cabeça ainda cansado e não lembro se comi ou se estou com documentos
A minha cabeça que ainda lateja e estou com o mesmo gosto pastoso na boca
E então eu corro pro banheiro e lá despejo o que ainda carregava da noite passado
Colocando tudo pra fora enfim só deixo em mim as lembranças… e que lembranças!
O “nunca mais” se mistura com o “quero de novo” e já sei onde estarei ano que vem.
