Ela e o bar perdido…

19/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Eu nunca tive muitos motivos pra estar aqui
Ah não ser gostar do lugar, das luzes
Eu nunca tive motivos pra fugir daqui
Não queria estar em nenhum outro lugar

Você vinha, me tocava e saia
Talvez achasse que fosse a graça do lugar
Não me ligava muito em você na época
Pedia outra Brahma e ouvia outra musica

Não lembro ao certo o cheiro de lá
Lembro que tinha um cheiro forte
Sempre alguém reclamava do banheiro
Mas não era esse cheiro que tinha…

Lembro dos ventiladores no teto
Cheios de teia de aranha…
Fazia sempre frio, janelas sempre abertas
Ventava lá dentro como se fosse fora

Você se achava a atração
Controlava o som da jukebox
E quando eu entrava no bar
Colova sempre um samba ou um rock

Passava seus braços no meu pescoço
Tentava encostar as pernas na minha
Eu sentia o cheiro do seu perfume doce
E me irritava com seu grude sem sentido

E ria alto, queria todos os olhares
E recebia de volta aqueles olhos semi-mortos
De fracassados que vinham de outros bares

Quando me dava conta do cheio ruim
Da visão triste dos bêbados sentados
Puxava você pelo braço e te beijava
Seu cheiro era doce, seu gosto era bom

Seu abraço, com seu corpo magro
Era melhor que o frio que entrava no bar
Seu olhar caído, lâmguido, pidão
Era muito melhor que qualquer coisa de lá

Me apaixonei por você a cada noite
E me cansei de você a cada noite também
Ainda não sei bem o que você é
Que a cada noite ignora meu desdém

As vezes quis te levar de lá
Te jogar na moto e correr
Mas tem coisas que tem seu lugar
E você é flor daquele lixo…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: