Sonhos da rua…

08/08/2011 Gritos do Nada

Andei me esgueirando pelos cadafalsos da vida
Quis com força e com fúria perder-me nas ruas sujas
Onde meus gestos serão soltos da vergonha repressiva
E serei, com roupas limpas, o preferido alvo das putas

Nas calçadas perdidas folhas parecem crianças (ou o contrário)
Sobre o vento que gela a alma de quem caminha e não vê
E por sentir-me hoje tão igual e parte do cenário
Me permito olhar para o rosto sujo delas e entristecer

Sou só mais eu sem ninguém a me esperar
Nas ruas desertas de fuligem e céu cinza
Onde um sorriso é algo até pra se estranhar
E o amor desnorteia como um porre de pinga!

Volto a rua e ela me abre as pernas oferecida
Não vou negar que quero fodê-la a noite inteira
Gozar entre seus gritos e me jogar meio suicida
Como se eu fosse um cafetão e a rua uma puta rampeira!

Asfalto alto, molhado, de luzes refletidas
e os postes contam histórias, que não podemos ouvir.
Sobre as noites em que nem tudo foi cerveja e vida
E onde quem dormiu na chuva tem o direito de mentir

[…]

Chegam contas, celulares, carros e mais pra comprar
E a gravata vem na direção do meu pescoço
Estou perdido porque não vejo porque devo me enquadrar
Nem sei por que sou tão idiota que ainda faço esse esforço

E no mar de rostos cansados e sombrios
Subindo as escadas lentas do metrô lotado
Saindo mortos do vagão e deixando o trem vazio
São tudo que não quero ser e me deixam assustado

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: