Estava seco, vazio e absolutamente sem ideia
Porque as palavras fugiam bem antes de atingirem a tela
Me vi amargo, meio sujo e sem trela
E fiquei soturno e calado, logo eu que sou tagarela
Mas não minto, me exponho e me arrependo
Eu que não vivo sozinho, queria a solidão pra ficar sofrendo
Há verdades que precisam ser mentidas pra fazer sentido
Como não há sentido em lágrimas que se guarda em coração partido
Mas perdoo, me desculpo e seguimos
Olhos cheios lágrimas, agora se abrem sorrindo
Não há papel que dê conta, não há mais nada a contar
Me perco entre as histórias que vivi, pra no fim ter certeza de amar
Não procure o caminho das estrofes, só leia e sinta
E no fim não me diga que entendeu, por favor não minta
Verbos escassos, sentimentos em demasia
Arruíno um dia e uma noite e no fim o que tenho é poesia