Está na hora de me livrar de um livro e eu sei disso. Ele não mais se sente em casa e nem consegue parar num canto sem se sentir mal. Não sabe se fica na mesa ou na estante, já o vi na cozinha e no momento está junto com uma pilha de papéis desinteressantes.
Esse cara que desliza entre o abandono e a lista dos cinco melhores livros que li.
O livro é feito no melhor estilo faça-você-mesmo, impresso em folhas de rascunho e arrematado numa espiral escrota que anula aquele tão desejado “comprei pela capa”. Guarda umas das mais ácidas e incríveis histórias que eu gostaria de ter vivido. Baseado em histórias reais cheias de mentirinhas.
“Mentiras sinceras me interessam”
Pode crê.
Ele é minha herança e já é tempo de encontrar outro jovem desajustado para iluminar suas idas ao bar e viagens ao trabalho. Afinal, depois que me tornei esse velho sem graça decretei a morte daquele garoto que um dia eu amei tanto.
Queria um ritual, como um bem vindo ao clube pro D’artagnan. Com direito a firula com espada igual maçon e batismo de cachaça. Mas não sei. Ainda não sei como me livrar dos meus melhores livros.
