Meu balão negro de ideias.
Inflado no soprar da succubus Judith
Não me acorde, meu amor.
Sonhos negros mancham de cinza
meu coração nublado.
Judith, carinho, não me acorde.
A chuva da cidade não lava
e meu balão de ideias assombrosas
vai livre, voa sem destino.
Judith vai embora nos restos de janela que ainda sobram.
Sempre me acorda.
Judith vai voltar.
Amanhã, talvez.
Ou daqui um mês.
Meu balão goteja a tinta negra,
pinta de preto o que restou desses dias.
E será assim até o seu retorno.
Manchará de negro os papéis,
as mãos, o meu e o seu peito.
