Penso no movimento dos teus quadris,
No nosso quarto de paredes brancas.
Aprendi a linguagem do teu ventre.
Revesti o quarto com paredes anti-ruído.
Já passo maioria dos dias sóbrio,
Leio kierkegaard e freqüento clubes que passam Godard as 17 horas no sábado.
Bebo cervejas importadas e belisco banderillas ao som de um free jazz qualquer.
Visito exposições de índios, Xingu, Xavantes, todos eles.
Todos eles nus e coloridos.
As vontades primárias que podiam ser únicas e eternas, refletidas em homens que carregam tronco e mulheres que exibem o jovem sexo.
Penso no movimento dos seus quadris.
Nas paredes que não escondem ruídos e segredos.
Rabisco guardanapos, fugindo da ideia que você se apaixonou pelo cara bêbado.
Dois goles da minha London Pride.
Flutuo na embriaguez adocicada de uma garrafa.
Nesse instante ingênuo, bate a saudade,
você se apaixonou pelo cara bêbado.
