O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]
Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]
Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
Nunca sei. Mas as vezes estou coberto de fumaça. E nunca sei se é gás lacrimogêneo ou fumaça de gelo seco.
Tem segundos que o ar fica denso e saboroso e segundos que ele é sufocante.
Sempre tenho avisos. Uma baforada quente. Um bip. O pressurizador da máquina de fumaça, sempre avisa.
Quase nunca eu corro e esse deve ser o problema. O espiríto curioso prevalece e vejo as imagens se desvendarem entre meu olhos.
Por vezes são moças de pouca roupa, noutras assassinos furiosos. Nuvens misteriosas de perdição.
Nunca sei a natureza que encobrem e ocultam minhas imagens mas elas se constrõem entre uma neblina densa, que as vezes parece gás lacrimogêneo e outras fumaça de gelo seco.
Glicerina, propano triol e beijos adocicam a boca, cloro-acetona e contas atrasadas irritam a vista.
– Caos – Terrorismo poético e outros crimes exemplares!
Assim, rápido, sem muito pensar. Talvez pensando com carinho exista algum outro, mas não importa, ele o é top of mind.
Mas vou chegar até aqui, antes vou voltar e contar uma histórinha. Teve um tempo que dei de cara no Manual Prático de delinquencia juvenil, um livro gratuito na internet. Na época estava lendo umas coisas de copyleft, umas paradas políticas pesadas, muito longe da ideia do “de graça é mais gostoso”. Tinha acabado de conhecer aquela história do movimento freegan. E nessas acabei lendo o livro que tem como um dos pilares o livro dessa resenha, o tal manual.
Não tinha como ser melhor, os boas-vindas foi um soco na cara, o tal manual, que pode ser baixado aqui, contêm vários relatos de atentados ao status quo. Uma espécie de Emma Goldman, quando lançou o “Se eu não puder dançar, não será minha revolução”,[quote_left]”Se eu não puder dançar, não será minha revolução” Emma Goldman[/quote_left] e o livro é quase isso, mas se a revolução não for divertida ela não pode ser autêntica.
Acabei conhecendo mais histórias e mais personagens, Luther Blissett, black block, Éris e a discórdia, por fim, Hakim Bey.
Hakim Bey, pois sim. Até que enfim. Se antes foi o soco aqui foi a luz no fim do túnel. Se a física já prevê que tudo vai dar em Caos, aqui o Caos é o inicio, o mais velho dos deuses. A anarquia nunca foi tão palpável e possível. O livro é quase poesia, quase baixaria e devia vir com selo, uma espécie de aviso. Religiosos e alguns tipos de reacionários leiam com cautela.[quote_right]”Coloque placas de bronze comemorativas nos lugares (públicos ou privados) onde você teve uma revelação ou viveu uma experiência sexual particularmente inesquecível…Fique nu para simbolizar algo…”[/quote_right] Mas no fim o livro propõe uma quebra na linguagem. Que as imagens que assimilamos de modo quase silencioso podem ter novos significados. É um convite para repensar nas convenções e protocolos. O uso político da arte, do humor e da religião são instrumentos usados por toda a história e aqui não é diferente. Uma insurreição popular cheia de graça, dança e comédia. Uma ousadia mais que atrasada, pois a arte viveu sua era de dadaísta, surrealista ou coisa que o valha, mas qualquer coisa que tentasse ser política não.
O texto é uma coleção de artigos publicados na década de 80, comecinho dos 90. Que invoca práticas de combate para ruir sistema de dentro para fora. Afinal, estamos todos infiltados num sistema de lixo e negá-los com ações de critica temperadas com sátira pode ser uma saída inteligente.
[quote_left]”Conquanto nenhum Stalin fungue em nossos pescoços, por que não fazer alguma arte a serviço de… uma insurreição? Não importa se é “impossível”. O que mais devemos aspirar senão o impossível?”[/quote_left]
Happenings para encher de orgulho muito Andy Warhol por ai. E eu ainda aspiro escrever comunicados e manifestos tão bem humorados e constestadores como Hakim Bey. Aspiro, como se fosse “impossível”. E se quiserem arrumar gente para ficar nu e quem sabe simbolizar algo, me chamem! Mas enquanto isso não acontece leiam esse livro, indicadissímo!
SophiA que me exaspera com sua tela branca SophiA, que é sinonimo de uma espera mansa Ela que esconde o nome dos livros de mim Ela, que é ainda mais lenta com uma conexão ruim!
SophiA, a quem dirijo cobras e lagartos! Maldita SophiA, da paciência me desfaço! E quando diante do seu lento carregar A única vontade que sinto é de lhe matar!
Maldita SophiA! Vulgo da biblioteca on line! Que sulga de mim minutos e me deixa “on fire”! Essa paralítica SophiA contra quem urro! É apenas mais um sistema que só pode ser burro!
Bandeiras e teorias silenciam as madrugadas. Os radicais mostram os dentes e a direita o atraso.
Estaciono entre as forças dogmáticas quase autoritárias e a insurgência louca dos desfavorecidos.
Durmo no silêncio das madrugadas.
Na era que seu valor é medido, em fios de diamante com pureza contestável.
A revolta e os pensadores barbados que admiro, tiram um cochilo, uma espécie de vírus adormecido.
Estaciono entre forças que me paralizam, sufocado por bandeiras e teorias [que silenciam as madrugadas.] Já mostrei os dentes e me anulei no retrocesso.
Eu tenho um vírus adormecido e um glaucoma que cresce a cada dia. Durmo no silêncio das madrugadas. Inerte.
Na era que não existe heróis e nem foragidos. Preciso parar com os remédios, e aceitar meu vírus.
Eles entram e saem (berrando), sem entender nada, da escola O gado aprende logo a comer bastante e com gosto o capim Eles lutam pela grana e tem coragem de pedir esmola O boi, ao menos, não consegue entender que seu viver é ruim Eles acordam, comem e dormem, tudo sempre igual O boi pasta […]
Preciso de um papel. Preciso de uma porra de um papel. É como se eu acordasse após um sonho ruim e me deparasse num lugar cheio de gente e música alta. Num lugar cheio de mulheres faceís e homens que se acham mais machos do que realmente são. Preciso inventar alguma história ou dizer tudo […]
Todos os canais chiam um tremendo sensacionalismo Hipocrisia que me deixa enjoada após meu chá a make é aparente e alguém se importa? Não, ninguém vai entender mesmo… É o brasileiro aceitando o bolsa família e esquecendo dos seus sonhos infantis! […]
Eu comi um lanche velho e gordurosorevesti meu estômago com uma pinga envelhecidaem estantes empoeiradas e garrafas milenares. Meus olhos travam na dança de putasque se perderam nos dias e no requinte da sujeiraNo embalo de uma Jukebox que insiste em tocar hits Paraenses. Pensei num modo voraz,de descrever as vadias,de alertar as crianças. Pensei […]