Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]
Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]
Descobri que não existe nenhuma ciência quando escrevo. Uso da tática tentativa e erro. Lembro da minha primeira série, das leituras só Jesus salva. E não me saia uma palavra.[só Jesus salva]
Escrevo como um varal, que Marias estendem a roupa. [uma hora seca] E as palavras sangram. Uma lã tecida por peruanas pobres. [é 15 dólares a colcha] E vejo a maestria de pintores coloristas pós-modernos.
Rudes emaranhados em cores vibrantes, construídos por mãos de fibra. As mãos das Marias e colchas coloridas.
Não espero troco, nem conforto. Só Jesus Salva.
Virou a roleta, virou o jogo. A ciência inexata de versos, de quem já não acredita lá em muitas coisas.
Faz tempo que não tenho o Canal Brasil em casa e confesso que esse canal valia todos os canais da TV a cabo. Longe das tristezas de homem médio e mais próximo do livro que vou abordar eu cai no programa Sangue Latino, um programa de entrevistas muito autêntico. Hoje passa na TV Cultura então é uma boa chance para ver o programa e saber mais do que eu estou falando.
Tudo isso foi para contar como conheci Mempo Giardinelli, como vocês notaram, foi em um dos episódios desse programa. Argentino, exilado no México quando o chicote estralou lá em suas terras.
Dêem uma olhada no teaser desse episódio.
Foi nessa atmosfera que me vi embuido da missão de encontrar algum de seus livros. Na verdade um trecho que tinha me arrematado. [quote_left]Pero no. Ahora acaban de sonar unos golpes a la puerta y estoy completamente desconcertado. Ha passado mucho tiempo y ya no sé si puedo reconocer el exato “toc-toc” de Martita… No creo que sea ella […] Pero com Martita nunca se sabe y es obvio que yo no sé matar fantasmas.[/quote_left]
O trecho ao lado é do livro 9 historias de amor, também presente no teaser e ficou aglutinado em mim. São nove contos, das mais variadas situações em que o amor se manifesta em nossas vidas.
Longe de ser 9 versões diferentes de Romeu e Julieta ou de relatos apaixonados com finais previsíveis o livro segura bem. Apesar do meu espanhol mais deficiente que funcional o livro é uma boa pedida, a língua não é uma barreira, fácil de entender e com certeza o auge do livro é o conto do trecho que mencionei. Martita on my mind.
O relato é uma fabula quase possível. Tão possível que parece que já vivi e já amei muita Martita, por ai.
9 historias de amor é um livro fácil e rápido, muito próximo de quem lê. Não é um barbado pensador alemão falando de coisas que você nunca viu na vida. Amor, simples assim, como tudo mundo já sentiu.
Eu sinto a morte, quando dos meus lobos eu me perco
Os nossos lobos devoram a noite Deglutindo, perdidos, as horas e rostos Nossos lobos uivam e choram Perdidos caçando na noite mais gosto
Esses lobos, que são malditos e ingratos Destroem cada noite na esperança de poder viver E essas noites que se esvaem a cada passo São a mesmas noites que morrem pro dia nascer
Pela manhã os lobos dormem em nossos ombros Permitem-nos o morrer na mesa do escritório Onde havia juventude em nós agora tem escombros E os lobos nos conhecem e nos forçam o calvário
De cada dia ter um sol pra nos matar Os desejos, o amor e o direito de errar
Os lobos querem muito mais, bem sei Querem nosso sangue pra poder comemorar!
O fosco lúdico dos seus olhos Que me enganam e me fazem correr O vermelho saboroso do seu lábio Que só pode me dar vontade de morder!
O veneno letal no teu sangue É o gosto que quero sentir Só pode ser feitiço essa burrice que insisto em repetir
Nas minhas noites desfaço o medo Entre os sonhos que me perco em ti Procuro seu sangue louco com o desejo de lhe morder e consumir até o fim [quote_right] …veneno letal no seu sangue… [/quote_right]
Você nunca vai ser o meu Romeu, ele volúvel, apaixonado pelo que seus olhos avistavam sem racionalidade perdido entre seus devaneios levado ao acaso para a loucura! Você não poderia ser o meu Werther que deixaria de lado uma vida comigo que iria embora deixando-me no vazio sem cuidar de mim, mesmo não podendo ser […]
Brilha, brilha o fogo que me queimaCastiga! A azia e a dor que desnorteiaMentira… o fogo e a vida descem a ladeira Saudades, do calor da flor que me odeiaNa verdade não há mais nada que me incendeiaA não ser o fogo que me toca o fogo que me beija Desperdício, me desperdiço, me quebroSou […]
Deixai as palavras falarem o que nunca pensamos em dizer Como deixamos pra trás as oportunidades de sermos felizes Deixa pra trás as caras amarradas de quem duvida do sorriso Como deixou pra trás seus pudores e suas mentiras de praxe […]
Andei me esgueirando pelos cadafalsos da vida Quis com força e com fúria perder-me nas ruas sujas Onde meus gestos serão soltos da vergonha repressiva E serei, com roupas limpas, o preferido alvo das putas Nas calçadas perdidas folhas parecem crianças (ou o contrário) Sobre o vento que gela a alma de quem caminha e […]
O nome era Katarina, com K mesmo… Um bom cronista escreveria ao menos uma lauda só pra falar do nome da morena de olhos escuros e pequenos, de boca larga, daquelas mulheres que sorriem a tudo e a todo, mas eu não, mal consigo uma linha pra falar do nome, posso dizer que é porque […]