18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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31 dias e o complexo de Teseu

01/06/2011 Colunas - Sonhos Viciados

Se foram os 31 dias de muita baboseira por aqui, sinto que nunca escrevi tanto na vida e isso me pareceu um bom hábito. Revivi cada palavra e num sopro as dei de graça. Meias palavras doentes de caras que não sabem onde por a vírgula e que rima boa nem sempre é dos repentistas. Assim foram os dias, de caras que pensam que são mais fortes do realmente são e que reduzem afetos em versos truncados, errados e instintivos.

Longe das academias e letrados se escreve de um jeito estranho, decadente e aleatório. Triste como o relógio e alucinante como guiar uma moto a muitos kilometros por hora. E isso tem algo de belo. Não nos reduza a comparações absurdas, não seremos pomposos na escrita, nem novos gênios da literatura.

E isso tem algo de belo, mesmo esses versos equivocados, destreinados e urgentes. São belos!

Para entender a beleza é preciso questiona-lá. É muito fácil achar belo um quadro de Van Eyck, qualquer um acha. O rigor técnico é surpreendente e chamem de talento o que mais quiser chamar, seus quadros assustam tanto como um Jesus de ferida aberta feita pelo Caravaggio. Beethoven é conhecido até hoje por criancinhas e por caras que não entendem nada de música clássica – como eu. Mas sempre nos deparamos com um abismo que divide esses caras a nós. Inevitável é se surpreender pela obra e achar que nunca seremos capazes de fazer tal feito. Reduzir fronteiras e chegar num ponto secreto é muito mais belo que o rigor técnico quase que exibicionista de muitos artistas. Tocar sem usar as mãos é mais uma para a coleção de mistérios da vida.

Certa vez vi os olhos de um matemático observando a solução de suas três folhas de cálculos. Via o caminho que acabará de percorrer, mesmo atônico soltava um riso vitorioso. Desvendava entre suas derivadas duplas e integrais um dilema. Acabará de se apaixonar. E achava aqueles rabiscos, números, xis e alfas o mais belo dos monumentos. Achava belo pois passou a entender. Compreendeu os sistemas complexos e dado o instante que soube interpretar e desvendar os mistérios viu a beleza e profundidade que esses códigos continham.

Assim como esses textos, tão possíveis, que qualquer um pode escrever. A beleza está em desvendar os códigos, alguns simples e outros complexos. Não existe abismo entre caras sem talento que escrevem mesmo sem saber. Ué, no fim nascemos sem saber e vamos vivendo mesmo sem ter nenhuma habilidade para tal.

Os olhos do matemático ainda contemplam a beleza de suas folhas, o poeta que matou meus pseudônimos ainda leva em si um sorriso e eu desde então de sopro em sopro dou essas migalhas corajosas. E isso tem algo de belo.

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Terminou o mês de Maio!

31/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Puta que pariu! Terminou!
Complicado ter obrigação
Foi um tapa na cara
Pra mostrar que não sou bom!

Falei de tudo, aproveitei
Mas admito, sem vergonha
Falei quase sempre do que não sei!

Não sou poeta, não sou cronista
Sou só um bobo, exibicionista!

Não sou poeta, não sou ninguém!
Aliás, senão sou poeta, não sou ninguém!

E sendo assim posso dizer:
Poesia é o mundo todo
E ser poeta é só saber viver!

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Não refaça o verso

Ontem ela me disse que leu algo que mudou a sua vida. Para ser menos trágico mudou um dos seus hábitos. Ela leu uma coisa que invadiu uma área que talvez eu nunca alcance. Logo eu, tão egoísta.

Que quis ser tão dono de ti e de seus milimetros. Fui derrubado por algo que você leu e que mudou sua vida. Pensei nos meus rascunhos tão egoístas, que só servem pra mudar meus hábitos e arrancar de mim o tédio da rotina. Evidente que nunca tive a pretensão de mudar a vida de ninguém, nem mesmo seus pequenos hábitos. Mas dela, logo dela, eu dei pra mim essa obrigação.

Logo ontem, que me senti tão fracassado. Vi um texto meu, bem velho, desses egoístas, só meus que alguém botou a mão. Pior, mataram o verso. Mataram a graça, a irônia, tiraram dele a sacanagem. Como justificativa me disseram que as palavras eram rudes, desnecessárias. O preço foi a tristeza de um bife morno, apático. Um verso fraco.

Quis dizer amante, no sentido sexual mesmo. Amante de cúmplice, de segredo. Mas botaram lá um companheiro. Pensei nos filmes quando retratam comunistas. Não queria agradecer um camarada e nunca transei com um companheiro, nem companheira. Só transei com minhas amantes.

E essas histórias todas me disseram boa noite, um ai de respeito aos versos indecifráveis, ao mistério malidicente aglutinado neles. Eles assim, preservados, levam o poder súbito de mudar seus hábitos.

Por isso, não refaça o verso.

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Daffine!

29/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Acho que ela me entende…
mesmo fria máquina de correr
As minhas vontades e frustração
Seu motor parece até compreender

E passam as horas, os dias,
E nos corremos entre os carros
Não, nem garoa e nem frio me param
Pois estar sobre ela é como um abraço

E o asfalto, que é caminho e fim
Onde escrevemos nossa história
é a testemunha do meu amor a ti

E de um amor bobo a velocidade
Que se manifesta no vento
Que toca meu rosto atrás da viseira
E me faz dono do espaço e do tempo

Eu te amo minha Daffine pequena
Que me leva e me carrega sem reclamar
Eu te amo minha moto sem problema
De um jeito que só a uma moto posso amar!

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Recordar é viver

20/05/2013 Gritos do Nada

Somos todos inocentes?

O dia se arrasta, se alastra a preguiça Dia que não passa. Vida onde não se arrisca Mentiras são contadas e fingimos que passa Pois não se contesta pra não ser contestado Julga-se o outro, sabendo ser julgado E nós, os inocentes, cometemos nossos crimes Pois desde sempre já somos condenados E a prisão é […]

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25/11/2014 Zumbido Fugaz
Nietzsche me faria perder o sono com o bem e o mal

Contando Você

16/10/2013 Gritos do Nada
Tomei outro gole, bati o copo como um homem! A mirei pela pista e no seu encalço caminhei

Papel Perdido (?)

26/08/2020 Sonhos Viciados
O que será que leva dentro? O suor triste do operário?

Uma piñata feita com uma mochila Rappi

25/05/2012 Backstage

Lisa Emanuely

Estou postando no dia errado, eu sei, mas não resisti, e esse não será o Gritos do Nada da semana… Enfim, um grande amigo e sua digníssima terão o prazer do primeiro filho, na verdade filha, em breve, e ele me sugeriu o nome dela (Lisa Emanuely) como tema para um poema. Não tive o prazer […]

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19/01/2024 Sonhos Viciados

Reza em hospital

Tento lembrar se existia paz quando minha única morada eram as ruas líquidas do ventre da minha mãe. Reza em hospital. Peço a Deus ao menos os grunhidos das crianças lá fora.  Mergulho no meu mais triste silêncio. Os doutores, os relatórios, os sinais perversos dos desastres naturais que nos arrebatem. Eu rezo, quem sabe […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: