Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
Desperdício!
Me traga tudo!!
Me trague inteiro!!
quero sempre ser o primeiro…
E nem quero saber pra que?!?
Só quero o sentido da fala,
Pra dizer o que não interessa saber
Me traga tudo!!
Me trague inteiro!!
Olhos nos olhos estranhos pela rua
É fácil perceber: Nem todos vão em busca de paixão
A maioria vai com os olhos baixos e assustados
Tentando ver de longe, qual o numero do busão!!
Me traga tudo!!
Me trague inteiro!!
De que me adianta essa canalha?!?
De vida triste, breve e sem imaginação
Se é nos meus delírios que me perco
Se é nos meus sonhos loucos que me sinto são!
Me traga tudo!!
Me trague inteiro!!
Ah essa grande violência…
Ah esses prédios pichados!!
Ah esse vandalismo adolescente…
[Que me deixa com inveja e enojado]
É o que me toca o coração…
Única coisa que me deixa excitado!
Me traga tudo!!
Me trague inteiro!!
Tenho jogado meu sangue pelo chão…
Desperdiçado as chances de voar e não voltar
Tenho sido mais um bloco na fachada…
Que se suja de fuligem… que não enxerga nada!


