03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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Katarina com K

15/08/2012 Gritos do Nada

O nome era Katarina, com K mesmo…

Um bom cronista escreveria ao menos uma lauda só pra falar do nome da morena de olhos escuros e pequenos, de boca larga, daquelas mulheres que sorriem a tudo e a todo, mas eu não, mal consigo uma linha pra falar do nome, posso dizer que é porque sou um péssimo cronista, mas a verdade é que Katarina merece uma crônica sobre ela, seu nome é uma parte ínfima do que ela é…

Porém ao pensar nela o que me salta a memória é o modo jeitoso como dizia seu nome: KA TA RI NA.
As silabas separadas, ela parecia querer ter a certeza que vamos entender o nome… O que me lembro mesmo é da sua língua tocando os dentes entre o KA e o TA e entre o RI e o NA.
Escrito não quer dizer muita coisa, mas a lembrança de ver a língua dela tocando de leve os dentes… Ah… Ainda mais que ela é meio dentucinha… poderia sofrer horrores só pra sentir aquela língua tocando na minha…

Escrevi poderia né? Pois é, Katarina sequer me deixou sofrer por ela, ria das minhas investidas, me abraçava, me dava um beijo no rosto e continuava a conversa… a odiava por breves 2 segundos, e já estava babando novamente…

Lembro que no grupo de amigos todos tentavam e eram do mesmo modo rechaçados… Era uma vergonha.
Mas nenhum arredava o pé de fato, eu era o que fingia melhor que não tinha mais interesse… Mas só fingia mesmo.

Havia disputa para decidir quem a pegaria na casa dela, e era morava longe de todos, mas… Ah senhores ela tinha um cheiro de banho tomado quando saia apressada da garagem dela pra dentro do carro, que com certeza valeria pegar uma Marginal infernal de fim de tarde todos os dias…
Era um cheiro fresco, de sabonete e creme… Não sei como ela fazia aquilo, mas o carro ficava suave quando ela entrava.

Também era praxe ninguém deixar ninguém ir pegá-la ou levá-la sozinho, sempre tinha um “amigo” junto… Pra atrapalhar?
Bom, com ou sem o amigo do lado, sabíamos, embora não admitíssemos, que ela não era pra nosso bico.

Até porque Katarina é aquele tipo de mulher que acaba ficando com um cara babaca… não o “nosso” tipo de babaca, mas aquele babaca sabe? Quem é homem (e não é esse tipo de babaca) vai entender. Ela sempre ficava, e obviamente, sofria, pelos caras que não fazem questão de ser amigos de ninguém que ela conheça, que a tira das rodas e lugares que ela costumava freqüentar, e de repente, quando fartava-se da beleza e “fartura” de Katarina, nos “devolvia” em volta em negro e chorando…

Ah e como sofria lindamente Katarina!!!

Doía vê-la sofrer, mas era lindo ver seu queixo (fino sabe?) tremendo antes de ela tossir mais uma choradeira… e CHORAVA! Como chorava, ela num tinha vergonha de sorrir e nem de chorar! Era uma Iguaçu de lágrimas!!
Dizia se cansar desse tipo de cara, que ia procurar quem a quisesse sem que ela mudasse… Isso nos atiçava, ficava por meses andando conosco, até conhecer outro babaca em lugares que não iríamos, como numa aula de Ioga ou um encontro de budistas… e lá se ia Katarina…

Um dia essa lógica num fez mais sentido… todos começamos a esquecer Katarina, sua beleza tornou-se “comum”, como o parisiense que olha com olhos de enjôo a Torre Eiffel que vê todos os dias, ou o carioca que num impressiona-se mais com a beleza da orla… de repente, PUM, ela era comum.

Então passamos a achar que ela nos sacaneava, só vinha a nós quando sozinha e sem carona pras baladas, pensávamos que ela devia rir da gente, todos atenciosos implorando um sorriso, um afago…
E um a um começamos a ver outras garotas, namorar… e de repente Katarina não fazia mais parte nem de nossos sonhos e nem de nossas lembranças…

Lembrei dela por ocasião de vê-la na rua. Andava de mão dadas com um cara (babaca com certeza) com cara de mau-humor e óculos escuros…
Ainda mantinha os cabelos longos e cacheados, as roupas leves, o andar “dançarino”, havia ainda o encantamento, mas, sei lá… acho que o feitiço num pega mais em quem já conhece o roteiro de Katarina.

Brindei outro dia, com os tais amigos, ao assombro de ver Katarina pela primeira vez, sorvemos nossas brejas, e cada um, com o olhar perdido, ficou lembrando dela…

Menti, ela num faz mais partes dos nossos sonhos, mas é uma das lembranças doces que carregamos. Tin tin.

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Mensagem não lida

14/08/2012 Zumbido Fugaz

Ele abriu a nova mensagem dela quando acordou.
Pelo enunciado era mais uma daquelas melosas
que sempre vinha desejando-lhe um bom dia.
Ele ficou feliz por ter uma namorada atenciosa
porém nem leu toda a mensagem, era grande demais
e ele tinha que se apressar para se arrumar.
Só que a mensagem de hoje era urgente
de uma menina apavorada e com medo dos sonhos
que precisava de um conforto do amado, que não veio.

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¿Dondé estás Sancho Panza?

13/08/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Eu, o espadachim bêbado que duela com os fios de queijo que ligam nossos pratos de lasanha.

Luto batalhas com artefatos pontiagudos, tridentes e punhais. Poderosas ferramentas que fazem crepitar sangue e despelar carne.

Repreendido, assumo a posição solitária do Dom Quixote de la Mancha.

Sem saber se é infantil, bêbado ou maluco. Sem saber se usa chapéu de jornal, elmo ou é tudo imaginação.

Tudo imaginação.

Volto para janta, uma lasanha na qual os fios de queijo ainda ligam nossos pratos.

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O destino era longe II

11/08/2012 Gritos do Nada

O destino é o amanhã que não chega…
Um horizonte infinito a nossa frente.
O destino é um indecifrável segredo
Mas um segredo que todos conhecem

O destino é uma meia verdade
Quando não dá certo vira mentira
Um futuro pra além da nossa idade
Preso em outra vida, em outro dia

É isso!

 

O destino é outro dia! Ou outra paixão?
É como um ônibus que se pega sem saber pra onde
Seu itinerário é desconhecido, perdão
Mas ele vai rápido e sempre pra mais longe

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Recordar é viver

31/07/2011 Colunas - Sonhos Viciados

Sepulcro Domingo…

Domingo é um dia pra se morrer.Com suor de sábado profano,com as imagens da sutileza de moças dançando. O Sol manhoso aquece os velhos que lavam as garagens,os olhos que lacrimejam e distorcem as cenas [que eu mesmo não quero ver] Os cadarços soltos indicam o caminho,a modarça não esconde a voz judiada pela cerveja. […]

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10/05/2013 Colunas - Zumbido Fugaz

Júlia

Eu escrevia um artigo sobre como prestar os primeiros socorros para cães e gatos, algo meio estranho que meu chefe solicitou, mas muito útil. Então me surgiu a dúvida: excessão ou exceção? Talvez nunca tenha escrito essa palavra, pois nunca fui um cara de exceções, mas sim um cara normal que estava estudando medicina veterinária […]

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09/05/2012 Gritos do Nada

Tela Azul

Quem você pensa que é? Com a verdade na mão Vomitando uma bobagem qualquer Como se importasse sua opinião! Mas quem mesmo você pensa que é? Abraçado ao que sempre achou! Que não sabe exatamente o que quer Fingindo uma vida que nunca levou Queria poder ter pena de ti! Mas seus preconceitos não me […]

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05/05/2014 Gritos do Nada
- Mas é R$ 30,00 e você faz completinha, né? Poliana respira fundo e fala com a voz grossa: - Amigo, sou travesti... completinha comigo é só se eu comer seu cu, né?

Poliana – Os medos da Noite

11/05/2011 Colunas - Sonhos Viciados

Adriana Calcanhoto e física quântica

Ela se parece a Adriana Calcanhoto lá no fim dos anos 80. Esse foi o apelido pra moça de rosto delicado, cabelo curtinho, pele branca e sorriso arrebatador que meus amigos lhe deram. Adriana Calcanhoto, realmente se olhar bem parece. Corpo míudo mas ela toma espaço, todos a reconhecem e conhecem, de longe e de […]

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16/05/2013 Sonhos Viciados

Axioma de um coração em coma

Binóculos para janelas fechadas. Ela não sai de casa, trancou a casa do coração. Lápis no olho, calças novas, Vaidade demais para espelhos nulos. […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: