03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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Eu vim do futuro

12/07/2012 Colunas - Sonhos Viciados

E se eu viesse do futuro e te dissesse que por lá é tudo igual?
As mesmas propagandas & marcas & gostos de refrigerantes.

O mesmo medo dos ladrões & do próprio silêncio & da fofoca dos vizinhos.

Se ainda houvesse talvez & nossa ingênua esperança de que amanhã vai ficar tudo bem.

Os trens continuarão rangindo com fúria & correremos réfens do relógio. Mais um the end da Disney, novos vírus de computador para os mesmos fins.

As contas ainda estariam todas se acumulando na mesa & os juros continuariam nas capas de jornais, ainda impressos. Como na nossa moda, moda antiga, moda dos meus pais, de toda antiguidade.

Ainda estaria ai? Recebendo teus pagamentos, a troco de quê?

Quem plantou em nós a ideia que tudo isso é importante? Quem tirou o brilho de nossos olhos?

Será que devemos criar um novo dêmonio pra tirar da gente a culpa de nós mesmos. Ou travestir nossa covardia em plantar bombas no peito de nossos inimigos & viver nossos verdadeiros amores.

Eu vim do futuro e por lá é tudo igual. Olhares assustados nunca se cruzam no metrô & nossos sonhos não são nossas plenas vontades.

Eu vim do futuro e por lá é tudo igual.

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Garoando

11/07/2012 Gritos do Nada

O sol não vence a força da nuvem
A luminosidade parca confunde…

As pessoas fecham as blusas, apertam o passo
O sol perdeu por hoje, derrama-se a nuvem
E a garoa molha os vidros dos carros

O asfalto brilha, molhado, com as luzes dos postes
Ainda é cedo, o relógio digital na praça marca 17:00
Mas o céu escuro acende as amarelas luzes das ruas

Casacos se fecham, olhos se fecham também, garoa e vento.
As cabeças descobertas se curvam ante o frio…
Não é dia de estar na rua, nunca é dia de estar sozinho

Os ônibus partem lotados, as janelas embaçadas
Os carros parados, as motos de pilotos encapotados
Passam com cuidado por entre os carros, a pressa é eterna

Quase ninguém vê a beleza das luzes refletidas nas ruas
O barulho hipnótico dos pneus sobre o asfalto molhado
Assim como ninguém vê as sombras nos sorrisos forçados

Pois mesmo nos dias de frio, poucos têm o calor de um abraço.

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São dois

10/07/2012 Zumbido Fugaz

Tenta mentir para si mesmo
e imaginar que é você e todos…
Não, não é…
Naquele bar cheio de risos
eram eu e minha doce solidão
conversava comigo mesma
e me perguntava, por quê?
Cadê você? Aonde ficaram ”nós”?
A resposta era simples que…
Bem, eu corri pela chuva
deixando todo rímel e delineador
manchar a minha pele de forma disforme
e ali entre carros, luzes, frio
eu vi, era só eu
somente eu poderia mudar algo em mim
se assim quisesse, se assim precisasse.
Mas por que inventamos que dois são um?
A matemática é clara…
Um mais um é dois, fugir da regra é loucura!

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É hora de ir embora

09/07/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Meus olhos registram a gente deslizando por ai
Na calçada lustrada com o sêmen de nossas infâncias pervertidas.

Meus olhos registram
a gente trocando nomes, marcas e sonhos. Eu comprei um vestido pra ti.

Eu mergulhei no mar de tuas notas. Seria intimidade? Dó no sofá, semínima de amor jovem.

O segundo negro contaminado de frustração, magia e medo.
Nossos sonhos congelados em pilares de luz. Ânsia e sorte numa mesma frase.

Devia ter um registro pra essas histórias. Devia ter ouvidos em confessionários.

Ninfas convertidas em pop modernidade. Meus dedos nulos. É hora de ir embora.

Meus amigos queimam o nariz.
Não tem verbo virgem. Não tem prece, deslizes.

É hora de ir embora.

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No farol…

07/07/2012 Gritos do Nada

Não foi como num dia qualquer, teve essa vez que foi mais forte, ou mais intenso… Não sei, mas não foi como num dia qualquer.

O trânsito tava como sempre, para, anda, para, anda… interminável. As buzinas vociferavam palavrões que os motoristas não tinham coragem de gritar por suas janelas fechadas do ar-condicionado (condicionado como o próprio dono do carro).

Passei entre os carros, compreendendo cada um, com suas pressas e suas vidas… a gente se junta no ódio ao dia a dia, na reclamação pelo trânsito…

O farol fechou!

Parei, desengatei, cruzei os braços… então ouvi alguém chorar, primeiro baixo, como que se escondendo, mas os soluços ultrapassavam a nossa tendência de ignorar, era impossível, tínhamos que olhar aquele homem.
Seu carro morreu, um desses carros cinzas sem alma, e ele com as mãos sobre os olhos murmurava que não podia mais, que era ali que ficaria.
Seu celular tocava, mas ele não atendia (como ficamos reféns do celular, sempre mais importante que qualquer outra coisa que aconteça).

O farol abriu!

A comoção dos motoboys se dissipou com o verde do farol, eu fiquei pedindo pros carros o ultrapassarem. Ele murmurava contra o carro novo, a conta, o celular, a mulher com quem era casado a anos e mal conhecia… e chorava. Acima do farol, do carro, das lamúrias, ele chorava. De um jeito com a vida adulta nos fez desaprender, chorava como um garoto, soluçando alto, o nariz escorrendo…

O farol fechou!

Não era um dia qualquer…

O farol abriu!

Outros carros paravam, pessoas desciam, faziam menção de xingar (alguns xingavam de fato) mas paravam e calavam-se diante daquele homem chorando. Outro motorista chegou mais próximo a ele e tocou seu ombro, o homem recostou sua cabeça sobre a mão desse motorista e continuou chorando. O motorista passou a mão sobre os ralos cabelos que ainda resistiam na lateral de sua cabeça…

O farol fechou!

Alguns foram indo embora, incrédulos, o farol abriu e fechou diversas vezes. O homem que chorava não chorava mais, pedia desculpa, respirava fundo enquanto olhava enternecido ao motorista que o ajudou. Este apenas lhe sorriu de volta, voltou ao seu carro e todos seguiram seu caminho…

O farol abriu!

Andei umas quadras próximo ao carro do homem que chorava, mas tive que acelerar mais, levantei a viseira do capacete e deixei o vento secar as lágrimas.

Não foi um dia qualquer, porque um cara precisou de uma afago e o teve e eu entendi alguém que chorava… e não conhecia.

O farol fechou!

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Recordar é viver

02/04/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Eu não conheço Guggenheim

Eu não conheço Guggenheim. Nenhum deles. Minha arte moderna é deixar de beber tanto. Não dormir na calçada, lembrar de tudo no dia seguinte. Camisetas velhas e tênis surrados ainda são duas constantes. Mas um dia a gente cresce, quem sabe? Visita o MOMA. Muda de cabelo, vai pra um novo emprego. Minha arte moderna […]

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18/05/2011 Sonhos Viciados

Nos anos 90

Nos 90 eu era garoto, numa época que o Maradona já mostrava que ia ficar gordo. Onde eles jogavam com aqueles shortinhos adidas, ainda anos 80. Bem dizer, nunca fui fã de futebol. Na verdade nos anos 90 eu era criança e não era fã de nada. Acredite. Nem dos mamonas e nem dos hits […]

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01/10/2011 Coletivo

Coletivo Um Dois – Versos para serem sussurados no descanso dos inimigos

Estilhaços de sua carne, ficam de brinde no meu tapete. Saqueadores invadem o hall da minha segurança e pederastas avançam como hienas na carniça. Radicais esperam a terra prometida, virgens seduzem velhos com o cheiro. Não dito as regras – só conto moedas. Vígio a nulidade das últimas madrugadas. Aproveitadores sorriem para o sangue O […]

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19/03/2012 Sonhos Viciados

Cortinas vermelhas e a volta pra casa

Os sábados de manhã. A volta pra casa em silêncio. Só os bons amantes entendem a mudez cúmplice dos nossos lábios. Os raios de luz ferem nossa pele, e ainda em silêncio fugimos do dia, Corremos atrás de um canto, pra descansar nossos corpos judiados. Cortinas vermelhas dividem os amores. Fumaça de gelo seco, Teu […]

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Ariana

Cadê o amor, Ariana? Cadê você? Cadê as noites mal dormidas, Ariana? Cadê? Ah, Ariana Lembro de tuas palavras de admiração, De carinho e de paixão, E o quão doce era as ler. E cadê a lua sempre citada, Ariana? Cadê você? E cadê teu corpo esguio e sorriso vil, Ariana? Cadê? Ah, Ariana O […]

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29/11/2011 Gritos do Nada

Rotina – Parede da Cozinha

E se a parede da cozinha visse ou ouvisse Sentiria inveja dos suspiros, dos beijos? Diria que nosso amor é nosso esconderijo E que sem isso talvez eu não existisse? Me sorriria compreensiva, enquanto arrumo a blusa? Riria conosco das piadas bobas que contei? Repetiria, invejosa, entre dentes as juras que falei? E olharia de […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: