Das nossas bocas

12/06/2013 Gritos do Nada

Eu ouvi suas reclamações saltarem da sua boca!
E pra te calar te beijei com força até ficar louca.

Sintindo o quente da língua, e o morno da carne…
Nada queima na real, mas a vontade arde

Entrelaçou os dedos por trás da minha nuca
E permitiu perder-me em ti, em cada curva

Mergulhei com olhos e dentes no macio do seu pescoço
Suguei sua pele com força, como se eu fosse oco

Ouvi os gemidos, a respiração e a suspiração… sei que gosta
Sentindo suas unhas famintas deslizarem em minhas costas

Não quero só seu amor lindo e açucarado…
Quero também seus gritos e seu corpo suado!

E cada centímetro nosso vira fonte de desejo e afeto
Nada pode ser pecado, tudo parece ser certo

Desejei cada gota do seu suor e saliva…
Seu néctar vaginal é minha fonte de vida!

E as frases sem sentido fazem sentido no meio de tudo
Mas quando chega-se ao ápice só se pode ficar mudo…

Depois é o silêncio do quarto e o corpo trêmulo e quente
E na vastidão da cama bagunçada o mundo somos só a gente

As mãos se procuram entre os lençóis amassados
O silêncio é quebrado pelos “eu te amo” trocados…

Nas bocas foi meu fim e meu começo
Uma vida sem sua saliva ou lábios? Desconheço!

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: