Troquei de óculos há quase um mês atrás e pra mim é sempre dramática essa hora de trocar, adio o máximo possível!
Sou reticente demais a mudanças e como uso óculos desde os 12 anos me apego demais a eles.
Invejo quem vai lá, experimenta, olha no espelho pede opinião e pronto. Nunca termina ali pra mim, eu num uso o óculos novo assim que sai da ótica, preciso dar “um último passeio” com o óculos velho… uma bobagem eu sei, mas manias são manias.
Outra parte que me deixa triste é o “enterro” dos velhos óculos. Eu costumo deixá-los dentro da caixa dos novos óculos e ele fica lá, perdido dentro de uma gaveta qualquer… esquecido…
Acho isso triste demais, até porque esses companheiros, verdadeiras testemunhas OCULARES da minha história, mereciam destino menos degradante.
Não creio que objetos tenham vida, mas sei que eles têm histórias… esse teve uma ótima:
Estava em uma balada acompanhado do outro colunista do site.
Eu bebi um pouco demais… bom eu sei que pouco e demais são palavras impossíveis na mesma sentença então admito: bebi pra caralho.
Tanto que bodiei de tal forma que, como a tal balada tinha uns sofás, eu simplesmente desmaiei de bêbado num deles!
Lá pelas tantas meu parceiro de noitada se deu conta e foi atrás de mim, empolgadão como ele estava me puxou pra levantar do sofá, o solavanco fez meu mundo rodar mais rápido do que deveria e bom, lá se foram todos os R$ 78,50 de bebida…
Meu “amigo” teve tempo de me empurrar até o banheiro mais perto, porém ao me aproximar da pia meus óculos caíram e eu lancei sobre eles (coitados) todo o liquido bebido.
Não percebi na hora então meu amigo teve que voltar e pegar os óculos pra mim… sim amigos, ele fez tamanho sacrifício! Limpou na blusa, que ademas já estava suja mesmo.
Teve que ficar sem blusa (e a madrugada foi bem fria) pra que eu pudesse levar ela embora pra lavar.
Ao guardar meus óculos lembrei disso e pensei em tudo que vi através daquelas lentes agora riscadas.
A primeira vez que vi minha mulher foi pelas lentes do modelinho italiano, quando a olhei de verdade, reparando em cada mínimo detalhe também foi através dele.
Engraçado que em nosso primeiro beijo ele não estava lá! Era um sábado iluminado e eu estava de lente para poder usar óculos escuros… não creio que ele tenha me perdoado por essa traição.
As primeiras vezes que zuni entre os carros nas avenidas, na minha primeira moto, foi com o velho italianinho sobre meu nariz, e tenho certeza que muitos dos riscos nele foram provocados pela péssima mania de deixar a viseira aberta…
Troquei de óculos e peguei outro modelo italiano, maior, que aperta menos minhas tempuras e pronto pra ser testemunha de mais um monte de coisas… espero que ele tenha a sorte de nunca cair numa pia!
