Ele foi um dia de sol… risonho
Pra ela que quase sempre foi chuva
Ele foi como um dia em que o sol vence as nuvens
E sorriu pra ela, que sem perceber, sorriu de volta
Ela fingiu não perceber, mas derramou-se a olhar
Olhou tanto, que decorou cada pedaço do seu “sol”
Ele viu nela algo que poucos viram, pra além das maquiagens
da roupa escura moderninha, dos copos cheios, do cigarro
Viu no sorriso a menina que sobrava quando os olhares partiam
E por ela superava a mulher de hábitos noturnos e mentiras
O sol era coadjuvante numa vida sem sentido e sem freio
A menina por trás de tudo não queria mais… mas ficava
As noites eram longas demais para o Sol, que sempre ensaiava partir
Mas no fim das noites a menina o olhava e sorria… como ir?
Os dias eram seus, a maquiagem era da noite, da fumaça nos bares
O rosto limpo, os beijos frescos… mas a noite ela partia…
O gigante sol tinha limites, partiu num fim de tarde tristonho
A noite tomou conta da menina, que não deixou borrar seu rímel
Mas, quando ninguém mais olhava, quando acordava dos porres…
Era insuportável o peso da falta do seu sol…
