Chienne

25/07/2012 Gritos do Nada

Ele foi um dia de sol… risonho
Pra ela que quase sempre foi chuva

Ele foi como um dia em que o sol vence as nuvens
E sorriu pra ela, que sem perceber, sorriu de volta

Ela fingiu não perceber, mas derramou-se a olhar
Olhou tanto, que decorou cada pedaço do seu “sol”

Ele viu nela algo que poucos viram, pra além das maquiagens
da roupa escura moderninha, dos copos cheios, do cigarro

Viu no sorriso a menina que sobrava quando os olhares partiam
E por ela superava a mulher de hábitos noturnos e mentiras

O sol era coadjuvante numa vida sem sentido e sem freio
A menina por trás de tudo não queria mais… mas ficava

As noites eram longas demais para o Sol, que sempre ensaiava partir
Mas no fim das noites a menina o olhava e sorria… como ir?

Os dias eram seus, a maquiagem era da noite, da fumaça nos bares
O rosto limpo, os beijos frescos… mas a noite ela partia…

O gigante sol tinha limites, partiu num fim de tarde tristonho
A noite tomou conta da menina, que não deixou borrar seu rímel

Mas, quando ninguém mais olhava, quando acordava dos porres…
Era insuportável o peso da falta do seu sol…

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: