Tempo

05/06/2010 Gritos do Nada

Se existe de fato algum deus remanescente do nosso passado pagão esse deus é o Tempo.
Ainda nos prostamos diante de suas representações, como o relógio, o calendário e é ele quem dita o nosso sono, a nossa fome, o nosso trabalho…
Tudo é regulado pelo e para o tempo. E ele nem se importa com a gente, passa segundo após segundo sem ligar se estamos atrasados, se estamos gostando do que está se passando, ou se estamos sofrendo…
Mesmo assim sentimos que o tempo é relativo, e parece de fato que 1 minuto de amor passa num piscar de olhos…

Nem tudo se acaba com o tempo
Mas nada existe que seja imortal
E mesmo o mais forte dos homens
Cai diante do peso do grande mal

Não há nada que a velhice não resolva
Nada que o tempo não cure
E mesmo a mais inquebratável impáfia
O tempo também a desnuda

De que me valem os sorrisos passados
As ligeiras e insoles alegrias
Se é com o tempo que brigo
E perco um pouco a cada dia

Ele não nos dá opção
Sadista, nos derrota devagar
O que nos resta é um pouco de pão
E a vontade de não parar de lutar

E não há nada a frente nos aponta o destino
Há ainda um caminho a fazer, a trilhar
E de páginas brancas se faz o futuro
Será infinito? Não se sabe, escreve-se sem olhar

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: