As manhãs silenciosas.
Assim eu as vejo.
Me arrasto entre gente com pressa, fúria e medo.
Crianças barulhentas amaldiçoam, quebram a harmonia.
Elas devem saber o quão assustador isso é.
Minhas manhãs de segunda-feira que me arrasto entre os trens que relincham, apitam e furam a cidade levando muita gente com pressa, fúria e medo.
Nas minhas manhãs silenciosas eu vou pelo cheiro, ausente de sentidos e imune de sentimentos.
Todas as faces distorcidas, toda essa gente mutilada.
Eu não dou a mínima, só vou pelos trilhos,
levado pelo trem que fura a cidade mas nunca vence os ponteiros.
Aqui se pode descer na próxima estação. Alívio rotineiro. Eu sei. Amanhã assim será.
E tenho a sensação que por mais mil anos o trem ainda estará cheio.
Cheio de gente. Cheia de pressa, fúria e medo.
