18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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… e o cigarro não acende

23/09/2011 Gritos do Nada

Ela bateu o isqueiro na palma da mão, mas parece que dessa vez não vai acender mesmo. Já molhou o cigarro na boca, mas com certeza seu rosto está mais molhado… e o cigarro não acende.

Ainda está com a blusa dele, e apesar do frio que faz na calçada, quando se toca arranca a blusa e a joga com raiva no chão.

Ela sente que ainda o ouve falando sobre não combinar, sobre a bebedeira, sobre a falta de tempo…

Ela lembra que não conseguia entender e mesmo assim suas lágrimas escorriam. E o panaca falava sobre eles de tal forma que, não fosse por sua cara e voz, alguém pensaria que está tudo bem.

Ele parou o carro e ela desceu, ela nem mesmo olhou pra saber onde estava, também não sentiu a garoa ou o frio e por isso ele desceu correndo e lhe vestiu a blusa.
Ele falou mais um pouco, ela não faz ideia do que, gritou pra ele ir embora e ele se foi…[quote_right]Ainda está com a blusa dele, e apesar do frio que faz na calçada, quando se toca arranca a blusa e a joga com raiva no chão.[/quote_right]

Ficou assistindo o lento sair do Pálio e ai começou a pensar sobre o que aconteceu, chorou um pouco mais, daí virou e se viu refletida no vidro da loja, e deu risada da maquiagem que escorria.

Lembrou, sentada no banco do ponto de ônibus, das suas “sumidas” e das dele, também lembrou das brigas por ciúmes e bebidas.

Pensou sobre a saudade que vai sentir, mas lembrou do tanto de coisas que deixou de fazer. Lembrou da chatice dele toda vez que ia no bar e dos seus amigos, que ele não suportava, falando que não ia dar certo.
Lembrou das camisas polo, do sapatênis e do gel em demasia…

Bateu de novo o isqueiro e este enfim acendeu, sugou o cigarro e lembrou que não podia fumar no carro, e depois da primeira tragada ela já sorriu.

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O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio – Charles Bukowski

22/09/2011 Resenhas de Livros

Já tinha lido outros do bukowski, iniciei pelos poemas. E esse é dos bons, se acha em banca de jornal, não é tão caro e se lê rapidinho. O último dos beats, o escritor dos mordenetes. Escolha seu rótulo, mas tudo isso você pode ler em qualquer lugar.

Comecei a ler Bukowski porque ele é baixo e no geral é bem aceito. Daí me senti mais em casa, uma espécie de Ramones para quem quer ter uma banda, ou seja, é possível. No fim sempre acho que é possível soltar uma baixaria e ser sempre cabível a colocação. Ignorem a pobreza do meu trocadilho de duplo sentido. Mas é isso, o cenário é sempre o mesmo, bebedeiras, pernas, decotes, repudio às pessoas, corrida de cavalos, pernas, mulheres e corrida de cavalos. Alterne entre as virgulas, porres de vinho, porres de uísque, porres de cerveja. Sério, quase todos os livros que li dele sao variações disso. E porque ler Bukowski? Porque não leio só um e fico com 30 outros de brinde? Porque em cada página reserva uma boa piada, uma verdade que você não teve coragem ou jeito de dizer.

Confesso, teve livros dele que não gostei, mas esse eu gostei. Conheci o ilustrador Robert Crumb nele, que faz uns desenhos baixaria com muita personalidade. Casamento perfeito. Crumb, diferente do Bukowski ainda está vivo e até Veio na flip do ano passado. O livro é como um diário que Bukowski escreveu quando tava veiaco, passa o livro todo reclamando. E podem crer que é bom. O livro é cheio de máximas e isso se comprova pelos títulos do bukowski que são muito bons. Esse mesmo é sensacional. O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio, Crônica de um amor louco, Fabulário Geral do Delírio cotidiano, Notas de um velho safado. Genial.

Desculpe o venerado Machado de Assis mas Bukowski é muito mais relevante na minha estante ou mesmo influência quando escrevo. Mesmo só falando de porres, pernas, corridas de cavalo e algumas variações disso.

Esse ai leva nota 8, Bukowski puro e concentrado.

O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio
Charles Bukowski

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Senhora da noite

21/09/2011 Gritos do Nada

A morte tem rondado minha vida
Tem andado pelos meus caminhos
Às vezes a vejo de relance
Mas nunca enxergo seu rosto

Salgada, quente e liquida
Que escorre pelo rosto
Entra pelo canto da boca
Sinto gosto de choro

Pena que ela nunca vem só
Que não pega a tristeza e leva com ela
Vem sempre aos borbotões
E sempre vai embora sozinha

A morte não amanhece
Uma senhora da noite, da escuridão.
Que assiste a dor de quem envelhece
E acaba com a vida sem perdão

No fim o que nos resta é tão pouco
Quando ela se vai nada sobra pra contar
Sobram os amigos e um choro rouco
Que faz estranhos os dias que ele vem nos visitar

E naqueles dias estranhos, só
Quiz tanto um forte abraço
Que até aceitaria de bom grado
Os braços e o peito da morte

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Ela ama Nova Iorque, mas mora no Itapevi

20/09/2011 Sonhos Viciados

Ela ama Nova Iorque, mas mora no Itapevi.
Cabelos longos, negros, tratados com a grana de sei lá quem.

Tatuagem na perna, na coxa, um rosto igual ao meu, ao seu.
Batom vermelho, bermuda de couro, bota de camurça marrom.
Ela estuda moda e usa muitas roupas que ela mesma costura
numa máquina overlock que sua mãe lhe deu.

Ela ama Nova Iorque, mas mora no Itapevi.
Tem o sotaque paulistano, tipo o meu.

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Eu queria…

19/09/2011 Gritos do Nada

Hoje queria dizer coisas edificantes
Te poupar os olhos dos meus defeitos
Hoje queria te dar meu amor mais limpo
Mas esse não sou eu, nem pra você

Hoje limpei a garganta e falei suave
E te ouvi até as últimas sílabas
Não quis, como sempre, ter toda a razão
Mas ainda não fui perfeito, fui eu.

A minha velocidade ainda te incomoda
E quando paro você não parece gostar
Nunca vamos a achar a mistura certa
E precisamos mesmo dela pra caminhar?

Eu nem pedi outro beijo, e saiba: nem vou pedir
Seu rosto estará sempre ao alcance da minha mão
Quero te olhar nos olhos até te ver sorrir
Sou dono dos seu lábios, e você do meu coração.

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Recordar é viver

13/02/2014 Zumbido Fugaz

Mudanças para você

Queria transformar a neblina em raios solares para animar queria fazer dos seus braços, asas Para te ver liberto das convenções. […]

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25/07/2012 Gritos do Nada

Chienne

Ele foi um dia de sol… risonho Pra ela que quase sempre foi chuva Ele foi como um dia em que o sol vence as nuvens E sorriu pra ela, que sem perceber, sorriu de volta Ela fingiu não perceber, mas derramou-se a olhar Olhou tanto, que decorou cada pedaço do seu “sol” Ele viu […]

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17/08/2010 Colunas - Gritos do Nada

Macia…

E era macia sua imagem, como deve ser sua peleProcurando em cada poro seu sabor…Mas lá nos reconditos do teu corpo me encontravaEntre os suspiros de prazer que sentia na minha pele O que fiz até hoje sem sentir teu hálito?Como pude viver sem te tocar?Se foi só nos teus olhos que busquei a pazE […]

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24/05/2012 Sonhos Viciados

Acaríase

Hotéis baratos da praça da república. Escondem as minhas rugas e desvios de conduta. […]

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14/01/2013 Sonhos Viciados

Confissão de amor

Nunca me senti tão jovem, mesmo chegando perto dos meus quarenta anos. Nunca estive tão certo, mesmo com minha estante repleta de diplomas de enganos e frustrações. Já não me encanta tanto meu trabalho, meus desenhos estranhos e esses textos mínimos, me empenhei nesses anos na doce tarefa de catalogar seus suspiros, pequenas variações de […]

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24/11/2015 Sonhos Viciados

Meu verso livre.

Meu verso livre, sufocado. […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: