Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários.
A única constância do mundo
Só se reconhece o belo quem conheceu o feio
Só se lamenta o ódio quem já teve amor profundo
Diz-nos o livro que foi do caos que a luz veio
É só a inconstância a única constância do mundo
Nem tudo é negro ou branco, é mutável a realidade
Até quando a vida é algo limpo, o viver pode ser imundo
E no meio da maior desgraçada pode nascer a felicidade
Porque é a inconstância a única constância do mundo
A noite negra vem do dia e depois o dia mata a noite…
Da vida nasce a morte e anos se acabam num segundo
A vida amacia a nossa carne não nos poupando do açoite
Pois é a inconstância a única constância do mundo
A inspiração veio do velho Gregório de Matos em Inconstância dos bens do mundo, que você pode ler aqui.


