03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários.

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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As ruas não gritam o que se GRITA nas telas

12/02/2014 Gritos do Nada

E a colonista das mil e uma noites esbraveja!
Contra bandidinhos defende justiceiros fora da lei

De um lado do muro se fala em direitos humanos
E alguém grita do outro lado: “Para humanos direitos”!

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Até dos dias fáceis são difíceis – Gustavo

10/02/2014 Gritos do Nada

Ele recusou o cigarro:
– Cara, já falei que não fumo essa merda… aliás vá fumar longe… melhor ainda: nem fume. Disse Gustavo quase cuspindo cada palavra.

Cagou pro fato de ser um novo cliente, cagou pras notas de cem que o cara fez questão de mostrar que tinha na carteira… Gustavo andava com nojo até de si mesmo ultimamente.

– Seu cabelo é lindo… você é perfeito! Deveria estar longe daqui, eu posso levar você pra conhecer umas pessoas, um pessoal de teatro e… Gustavo corta o papo pegando e esfregando com força a mão do seu interlocutor no seu pau!

– Você quer isso né? Então é só me pagar que será seu… pode cotar esses papinhos, já estou a tempo demais nesta merda pra ter esperança de sair. Fuma essa sua merda ai e vamos logo pro seu carro.

Mas ele não desistiu, pediu outro drink, chamou outra cerveja pro Gustavo e tentou engatar outro papo com ele…
Gustavo percebeu que não seria como esperava, as vezes acontecia, o cliente queria bater papo, conhecê-lo, e numa próxima fazer o que sempre fazem…

O nome dele era Caio, tinha um sobrenome pomposo, mas o Gustavo não ligava, pro Gustavo saber nome já era o suficiente. Isso e perceber logo se o cara teria a grana ou não.

Esperou a cerveja chegar (se certificou que ela estava fechada antes de beber) e se deixou envolver naquela conversa… não custa nada, pensou.

– Então… é Gustavo né? Pois é Gustavo, eu trabalho numa editora. Tem um pessoal que tira fotografias que eu conheço… Recomeçou Caio
– Eu já fui modelo, vim do Rio pra cá pra trabalhar em desfiles, mas um teste do sofá atrás do outro acabei sendo mudado de ramo… conheço sua área, e não quero voltar. Ser garoto de programa deixa as coisas mais sinceras. Disse Gustavo.

Essa conversa o incomoda, fica lembrando das esperanças que teve, das mentiras que conta para sua mãe toda semana…

Mas Caio está imbuído:
– Na verdade Gustavo (falou mais uma vez sem certeza), eu conheço pessoas que fazem fotografias de arte sabe? Seria mais um bico que um trampo…
Gustavo não responde, acena com a cabeça enquanto engole quase metade da garrafa de cerveja que ganhou… Caio continua o papo, fala nomes, lugares, fala de trabalhos de amigos, galerias de arte, vernissage… Gustavo ouve com pouco interesse quase que por educação.
Trocam e-mails, Caio pergunta se Gustavo ainda tem book…
– Então Caio (Gustavo fingiu incerteza) eu preciso procurar cara, faz tempo que ninguém me pergunta isso… te aviso.

Caio pagou a conta, foram pro carro… Caio ofereceu carona, mas pediu pro Gustavo dirigir. Rua vai, rua vem Caio deita sua cabeça no colo de Gustavo…

Ao chegar no destino Gustavo fecha as calças, Caio sente envergonha enquanto ofega e muda do banco do passageiro pro banco do motorista:
– Bom Gustavo, ótimo te conhecer cara…

Era essa parte que deixava tudo péssimo pro Gustavo, pedir a grana, contar e ai sim ir embora…
Tinha sido legal, conversou com uma pessoa sem estar com o nariz cheio, sem ser pelos cantos escuros, sem ser gritado entre as batidas da música… Mas tinha que cobrar.

Caio foi elegante, estendeu a mão com o dinheiro dobrado, Gustavo pegou, mas não contou dessa vez… Beijou Caio no rosto e sumiu nas sombras da Vieira de Carvalho…

Gustavo está cansado, mas ainda é cedo e sua mãe liga:
– Oi mãe!… Tudo bem sim, tô ótimo. Novidade? Ah tenho uma… arrumei um trabalho novo, algo com arte sabe? Fotografia pra ficar em galeria… A senhora ver? Claro… Gustavo se deixou envolver nas mentiras que contava e na alegria da sua mãe orgulhosa do outro lado do telefone.

Mesmo os dias mais fáceis são muito difíceis…

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Recordar é viver

04/10/2011 Gritos do Nada

Nasci de uma vontade estranha II

Nasci de uma vontade estranha, De partir e de voltar… De ter olá’s e adeus pra onde for E o tempo e os lábios que quiser Nasci de uma vontade estranha De ser muito, de ser mais! De ter tudo, viver e reviver Nasci de uma vontade estranha De ser, de viver, de não calar!

05/05/2014 Gritos do Nada
- Mas é R$ 30,00 e você faz completinha, né? Poliana respira fundo e fala com a voz grossa: - Amigo, sou travesti... completinha comigo é só se eu comer seu cu, né?

Poliana – Os medos da Noite

11/05/2011 Coletivo - Colunas

Coletivo Um Sete – Fui tão pouco…

Do prazer de te ver, te ter, te tocarRespiro esse gás como clemêncianos intervalos que não estou lá dentro.Das horas, perdidas horas, que posso lembrar E quanto nos perdemos, em noites de não pensar no depoisDos sorrisos que viravam lágrimas, pela tristeza do que sóisNos instantes que alucionado comi teus saborese arrependido solucei no mesmo […]

13/09/2012 Sonhos Viciados

Descanso num ponto vagaroso da tarde

Descanso num ponto vagaroso da tarde. Que Gregor Samsa aparece discreto na janela com vergonha demais para sair. Que as moças deslizam com seus contos eróticos escondidos nas bolsas e os garotos, espertos demais, não vêem uma chance para dar o dia como ganho. Descanso num ponto longe dos gélidos concretos que abraçam nossa rotina […]

12/07/2009 Colunas - Sonhos Viciados

Não quero a violência do teu amor,nem meus olhos inexpressivos. Essa ânsia só mata o nosso bem querer.a falta dos lençois levam as nossas memórias,completas de um amor tremendo. Então, cale a boca.e me deixe assim distante. Só quero preservar,no meu melhor canto,as vibrações das nossas melhores noites.

23/07/2011 Gritos do Nada
Um Poeta que canta a vida, Poeta não! Cantador

Uma casinha em Boi Véio…

Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: