03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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Ela ainda guarda um porta-retrato.

22/10/2012 Colunas - Sonhos Viciados
Guarujá

Faz um ano.

E ela ainda guarda um porta-retrato.
Do garoto que ela um dia tanto amou.

Um registro do tempo que ele ainda sorria para suas piadas e se apaixonava pelo seu ventre arrebatador.

Para os curiosos ela diz que é seu primo que mora longe.
Para sua consciência são os olhos apaixonados registrados numa moldura 15 por 20 cm, impressão fosca.

Memória física de tempos felizes, amor correspondido, jovialidade em papel.

Ela ainda guarda um porta-retrato.
Do garoto que ela um dia tanto amou.

Não julguem a pobre garota. E os retratos que leva com você? Traindo consciência e amigos.

Faz um ano.

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Achar um sorriso

19/10/2012 Zumbido Fugaz

Tô na estrada, querendo que um vento traga-me a ideia de uma história tão engraçada que a faça chorar de tanto rir, não quero mais ver seu choro de tristeza.

Paro no posto de gasolina, não tem riso, aqui só tem cheiro de diesel e caminhoneiros mal-encarados. Embriagada com o cheiro de desodorante vencido da frentista, vamos engatar a 5ª marcha para procurar por onde sua alegria se perdeu.
Um dia seu sorriso já foi como a lua, branco, iluminado, mas ele desfaleceu e ficou desbotado, como seu olhar amargo. Paro perto de uma escarpa, toco-a quase perfurando minhas mãos e quase consigo sentir a sua dor, quase.[quote_right]Queria uma história que as bocas recontassem que fosse meio mágica[/quote_right]

Vamos caminhando, quem sabe essa trilha não tenha a flor mais impressionante que a faça sentir novamente alguma emoção, talvez. Suas últimas emoções datam do início de seu namoro que o casamento desgastou, eu sei, mas quem sabe a história que te contarei ( quando encontrar) te faça tão sorriso que possa compartilhar com seu companheiro e isso os faça rir e sentir o gosto da alegria de antigamente e os faça ir ao cinema de mãos dadas novamente?

Eu quero achar a história, engraçadamente divina que a faça imaginar que veio da boca dos anjos, que te faça deixar de achar que está doente e parar com os analgésicos e vá até a esquina comprar dois sorvetes, um para você e um para a menininha que você observa andar de bicicleta em todas as tardes quentes, que parece a filha que você não pôde ter.
Que conte a história que lhe contei a essa menininha, que ela saia correndo sorrindo, contando a sua mãe que a moça que mora no 133 é uma mulher muito engraçada e perguntar para a mamãe se pode lhe convidar para tomar um chá e comer bolo de chocolate em casa. E então que a mãe da menininha a convide para passar uma tarde em sua casa e você conte essa história para a mãe da menininha ficar tão contente como nunca, desde seu baile de 21 anos.
Que assim, essa mãe ligue para sua mãe e não achando mais o que conversar, conte a sua história que você a contou e que ela lá do seu mundinho de interior, vacas e galinhas ria tão alto que faça o gato se animar.

[quote_left]Eu quero achar a história, engraçadamente divina que a faça imaginar que veio da boca dos anjos[/quote_left]Queria uma história que as bocas recontassem que fosse meio mágica na vida das pessoas quando as ouvisse, que não prejudicasse ninguém, que não fizesse ninguém ficar envergonhado, que não fizesse ninguém odiar, que te trouxesse uma lembrança que nunca tivera, que te impressionasse como um brinco de tartaruga impressiona uma criança de um ano, que batesse em seus tímpanos como a música Great Balls Of Fire em sua primeira e última festa e que fosse como aquele toque do seu amado, que infelizmente não era o seu prometido, que se perdeu no tempo…

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Embarquei num ônibus qualquer

11/10/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Embarquei num ônibus qualquer, não me importa o destino, itinerário, horóscopo, como anda minha sorte e nem se a viagem será longa ou curta. Tenho um único pedido, que não seja circular.

Ninguém quer voltar pro mesmo ponto. Eu também não. Hoje não terá atrasos, chamadas telefônicas, nem e-mails respondidos. Embarquei num ônibus sem saber o destino, sem hora pra voltar.

Palavras-cruzadas entretém, livros te desligam do tempo e revistas lhe dão sonhos de plásticos. Talvez eu fosse mais feliz se tivesse feito um seguro igual ao anúncio da revista. Acontece que não tenho dinheiro.

E quem quer segurança não embarca num ônibus sem saber o destino. Por um instante espiei os enigmas do cara ao lado. Revista Coquetel pirateada.

“Magistrado romano com 4 letras”

Desvendar mistérios alheios é entediante.

Talvez eu desça no próximo ponto, talvez eu vá até o ponto final. Pra quem não sabe o fim, pouco importa.

Minhas molduras são janelas que trocam de paisagens a cada dois pontos. O asfalto é um tapete rude que desgasta quem desliza por ele.

Embarquei sem saber o destino e o fim.

E o teu ônibus é circular?
Ainda não embarcou em um? Hora ou outra vai precisar.

Saber o destino ajuda? Não sei. Embarquei num ônibus qualquer.

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Recordar é viver

18/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Ramones e Anos 90… saudades!

Eu não me acostumoCom as roupas coloridasCom as girias produzidas Nem consigo ouvirAs guitarras limpinhasAs vozes tão finas Me irrita o olharE é estranho verEsses all star`s limpinhosNem rasgados, tão fofinhos Essa impessoalidadeA falsidade dos abraçosA loucura das bebidasTudo bobo e sem sentido Talvez seja eu o idiotaPregado nas coisas do passadoOnde cada um era […]

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15/05/2009 Colunas - Sonhos Viciados

Patético

A única esperança que insisteé a da noite.Com seu respirar angustiante. Só restou essa esperança.Nem mais as bandeiras,as ideologias mentirosas. E só o riso pras pessoas distorcidas.Eu encho corpo de um gole foraz.De um gole maldito de ácido. Só pra poder suportar o dia,e todas conjecturas que ele carrega.Aguentar toda essa gente e seus escarros […]

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12/07/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Eu vim do futuro

E se eu viesse do futuro e te dissesse que por lá é tudo igual? As mesmas propagandas & marcas & gostos de refrigerantes. O mesmo medo dos ladrões & do próprio silêncio & da fofoca dos vizinhos. Se ainda houvesse talvez & nossa ingênua esperança de que amanhã vai ficar tudo bem. Os trens […]

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13/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

A sombra do sorriso que ela provou…

Percebo que ficou frio de repenteAcho que foi uma brisa qualquerQue entrou no quarto bagunçado da genteOnde a noite foi longa e não estamos de pé E vi que as janelas estavam fechadasE o frio vinha da gente, como tapasSua mão nervosa estava agora paradaE a noite já era a noite passada O que perdemos […]

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19/02/2011 Colunas - Gritos do Nada

Medo!

Puta merda! Perdi meu medo…Caramba, onde será que deixei?Estava aqui, bem preso no meu peito!E agora sem ele, o que farei? Me segurou tantas vezes, agora, como vou parar?Sem o medo aqui, gente, o que pode acontecer?Será que agora vou fazer escolhas sem vacilar?Finalmente parar de só pensar e fazer? … Droga! Sim, o medo […]

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18/10/2011 Gritos do Nada

Marcas e Chuva

Tenho contado os minutos, intermináveis de antes de te beijar Mesmos minutos vadios que passam voando quando estamos grudados Perdi a conta dos sorrisos que dou quando do nada começo a lembrar Dos deliciosos minutos rápidos que abraçado a você passei encantado Nos seus beijos o gosto da chuva, estou adorando e não disfarço A […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: