Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
A hesitação do assassino
A boa breguice de quem ama.
A hesitação anterior do disparo do assassino.
As caras opostas desse nosso amor bandido.
A tua face rosada depois de uma hora de sexo louco,
os fios de cabelo presos na testa,
entregues ao suor, fruto do teu cansaço.
As imagens se reconstrõem na tela branca da minha perversão.
A hesitação anterior do disparo.
A caixa de pandora descansa arrombada.
Somos todos réus de nuvens negras.



