26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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Cavalheiro Sozinho

17/03/2012 Gritos do Nada

Sentiu seu cavalo cansado
Não havia mais feno ou água
Havia deixado para trás aliados e passado
Vencido pelo cansaço e pelas mágoas

Apeou-se com dificuldade do cavalo
Subiu à um monte e seu olho brilhou
Avistou, enfim, algo para ajudá-lo
Ao longe viu um castelo, e pra lá caminhou

Aquela imagem era de salvação e desespero
Pois o lembrava do que queria esquecer
No fundo da memória a lembrança do desterro
Seu castelo em chamas e sua princesa a morrer

Bateu sem vontade às portas do castelo
Que se abriram sem nada questionar
No meio do pátio um velho de braços abertos
Seu cavalo foi a fonte, beber, à ele sobrou caminhar

O velho homem não perguntava e nem respondia
Os braços abertos como que a convidar
Aproximou-se e, relutante, foi o abraçar
Apertou-se ao velho com a vontade de quem sofria

Afastou-se e o que viu reavivou-lhe a mágoa
Correu ao cavalo para seguir seu caminho
Ficou louco pelas perdas, pois abraçou-se a uma estátua
E percebeu, sobre seu cavalo, que era para sempre sozinho

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Dia da poesia

14/03/2012 Backstage

Dia da poesia e a gente dos Prascucuias, relapsos como somos (graças a Allah, o grande) não preparamos nada… e isto é poesia, óbvio que é!

Pra nós poesia é o não preparado, é o que escapa aos dedos, fica quando secam as lágrimas, sobra dos escombros, levanta quando nos caímos… e todas essas coisas brejas e cheias de pompa.

Se nós não “trabalhamos” nossas poesias? Claro que sim! Mas quanto mais rápido e fácil ela sai, melhor ela fica…

Poesia é o não ter medo de errar e nem de ser ridículo, poesia também é ser engraçado, dizer uma gracinha e sorrir satisfeito… poesia é chamar uma mulher de linda, um homem de perfeito, jurar amor eterno… e depois escrever sobre o sofrimento, as dores e o levantar… poesia serve pra tudo! Até pra nada…

Aliás tem essa discussão: Pra que serve a poesia?!?!
Pra mim, pra qualquer coisa, pra protestar, pra exaltar, pra discutir, pra amar, pra impressionar… e no entanto existem outras formas de fazê-lo, e por isso as vezes tem gente que diz que a poesia precisa ser salva…
Mas a verdade é que a poesia nos salvou, e é isso que acontece, a poesia salva os poetas e leitores e não o contrário, a poesia não precisa ser salva, ela não existe de fato… e senão existe não pode morrer.

Como assim poesia não existe?
Não sei responder claramente, o que posso dizer que ela é intangível, indefinível, inodoro e incolor (e tão preciosa e necessária, para mim, quanto a água! rs)

O que admito, com todo o prazer, é que ninguém constrói nada além de belas frases e reputação com a poesia… os maiores poetas morreram na merda, ninguém ficou rico com poesia… e ai mora sua beleza.
Só escreve-se pelo prazer de ver escrito, pela eternidade que as páginas (de papel e internéticas) nos dão, e por isso, boa ou ruim, as poesias são sinceras, e só são sinceras porque não valem nada!

Viva a poesia! Viva a sinceridade! Viva a falta de valor!

Tem uma frase que eu escrevi milênios atrás, que até já disse em concurso de poesia e acho que hoje vem bem a calhar, pois eu acho que nós que escrevemos apenas temos um jeito próprio de ver a beleza das coisas, que não é melhor que nenhum outro, tem gente que faz música, que dança, que tira foto, que faz pinturas ou esculturas e tem gente que só olha, e o que torna um jeito melhor que o outro é sua própria satisfação… mas a frase é a seguinte:

Poetas somos todos nós e poesia é o mundo inteiro!

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Crescer

Me jogo na rua e lá me lava a chuva fina
Gota por gota de encontro ao chão
Escorrem dores por não ter a consciência limpa
E clamo por coragem, chorando sem razão

Lá nos longínquos anos deixei todas as certezas
Pios não sou mais menino e já sei dizer não
Por isso não me jogo de olhos fechados nas correntezas
Um homem, não um garoto, um louco e bastante são

E agora? Será que não tenho nada?
Terei deixado pra trás alguma ambição?
Eu cresci, coisa a ser comemorada!
E ser adulto é ser você, sem nenhuma concessão!

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Um chá e uma vela

13/03/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

A noite guarda os anseios de quem tem medo do escuro
mas pode usá-lo para se esconder da luz opaca
que pode infringir seus desejos mais secretos.

A noite guarda o sonho dos que não creem mais
que num relâmpago de luz quase acreditam novamente
acordam e vão a rotina de cada dia.

A noite guarda o pecado dos apaixonados
que se lançam contra a cama, parede, mesa, o que for
só para saciar seu amor com o corpo do outro.

A noite guarda o segredo dos amantes que suprem
seus desejos se deliciando na alma quente do outro
sem atribuir regras ou conceitos, vale só prazer.

A noite guarda os mistérios que o próprio escuro já tem
seus horrores, suas futilidades, sua falta de bom senso
sua vontade de se jogar e esquecer por instantes o todo.

A noite guarda meus suspiros de mulher apaixonada
menina frágil que sussurra tudo que tem medo de jogar ao vento
que expõe todo um amor guardado só para ti…

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Recordar é viver

13/03/2013 Colunas - Gritos do Nada

Começar um diário, dois corpos em frangalhos

No chão da sala 2 taças de vinho usadas Jaz pelo caminho uma garrafa de vinho vazia Na pia 2 latas de cerveja acabas Pia cheia dos talheres e pratos da lasanha comida Na cama bagunçada 2 corpos em frangalhos Que foram 1 novamente na noite comprida 2 meses de casado realmente é marco Mas […]

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03/09/2013 Gritos do Nada

Cada dia

O que será que eu não falei pra você amor? Juntei tantas frases e hoje só sei me repetir Mas a verdade é que me apaixono todo dia E todo dia você me dá novos motivos pra sorrir Você refaz a mágica de me conquistar dia a dia E eu, claro, viro um bobo novo […]

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18/07/2012 Gritos do Nada

Você está preso!

A situação dada é essa: Você está preso! Tem bastante espaço, não se preocupe… Os corredores são longos, de vidro Nem vai perceber que está sobre nosso controle A gente promete que as correntes serão leves E ficaram confortáveis no pulso e tornozelo Não se preocupe com nada! Não chame advogados! Você terá todas as […]

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05/03/2014 Gritos do Nada

Acordei de ressaca numa quarta-feira de cinzas

Acordei ouvindo os carros e corriam dentro da minha cabeça Dormi na sarjeta e por ela corre confete que escorre da rua Por mais que não lembre, essa dor não deixa que eu esqueça Acordei na rua com a ressaca quarta-feira de cinzas […]

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15/06/2011 Colunas - Gritos do Nada

Vontade…

A vontade toma os caminhos que quiserEla, tu sabes, é indomável e irrequietaA vontade me leva e vou sem saberPra onde estou indo e o que me espera Meu corpo é tomado e cada gesto é em seu favorCada batimento, passo e respiraçãoMinha mente é invadida pelo seu imparável fulgorE quando nú não consigo mais […]

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18/08/2012 Gritos do Nada

Um poeta de merda

Meu amor escorre por seus dedos Molha o chão do seu caminho… Meu amor só não é maior que o desejo De ter o seu amor e o seu carinho Toda palavra e frase se torna brega Piegas, é sempre assim o amor alheio Só mesmo quem vive entende a entrega De ter o coração […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: