Quem fui ou quem sou?

16/05/2014 Gritos do Nada

Eu já nem mesmo sei mais quem sou
E fracamente quero esquecer pra onde vou

Um dia me disseram que sou culpado e aceito o fardo
O carrego mesmo que faça meu caminho mais árduo

Carrego todas as culpas sem cometer os erros
Conto as verdades no silêncio e minto com urros

E trago no fundo do peito meus inconfessáveis medos
Espero que ao descobrí-los os mantenha em segredo

Ah tentei me livrar desses medos em cada esquina
Perdi uns, ganhei outros… a experiência me ilumina

Perdi-me entre os risos e as lágrimas no meu rosto
Prestei atenção aos sussuros e não entendi o proposto

Sonhei acordado com as luzes que via pelas noites que corri
Fugi de mim entre os goles e tenho quase certeza que morri

Me achei nas manhãs de gosto seco na boca
Trabalhei com os olhos injetados e a mente louca

Odiando todos não segurei nenhuma mão ou braço
Mas me apoiei em seu ombro e quis seu abraço

O seu amor me fez mais forte e vulnerável
E essa dicotomia me fez alguém crível

Chorei cada gole e bebi cada lágrima
Me tornei meu algoz e minha pobre vítima

Não sei quem fui, mas me lembro quem sou!
Aquele que quase perdeu, mas que ganhou

Creio que sou o fim de cada noite que chorei
E no outro dia acordo outro e pela manhã partirei

Num dia fui quem se perdeu e dai sou quem se achou
Quem morreu todos os dias e diferente ressuscitou

Alguém que se perde facilmente entre cerveja, noites, amores, sexo, shows, músicas, letras, palavras, motos, asfalto, montanhas, amigos e nunca acha que é muito o muito pouco que viveu!

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: