Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]
Loucura lúcida

Foi o sopro da verdade
Diziam todos com versos ensaiados
Cuspindo idéias casuais em meus ouvidos
E reinventando teorias já ouvidas
Concordando talvez em pensamentos fúteis.
Examino os com cautela
Cautela também ensaiada e reinventada
Com medo de cair em desventura
Não tomo nenhum partido
Apenas suspiro e fujo dos olhares condenadores.
Me tarjam de louco?
Pois me elogiam
Não rebato nenhum pensamento
Posso em fim abrir os braços e gritar: Essa é minha sina!
Por que afinal sou louco, não sou?!
Mundos paralelos realmente me fascinam
Pré conceitos é que me constrangem.
Não sepultarei nenhuma ideologia que tenho
Também não julgarei ninguém
Por que esse sou eu, o louco, que rejeita o sopro da verdade
Que é diferente, que é excluído, que é tarjado.
Prefiro esquecer tudo e desenhar cânticos no papel
Poetizar pensamentos
Profetizar “miraboláncias”
O mais que faço é real de mais pra mim …





