18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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Ultrapassa as telas II

23/11/2011 Gritos do Nada

“O amor perfeito não ultrapassa o longa-metragem”

Não tem barulhos de sinos e nem caminhadas ao horizonte
Chamar a atenção? Só de quem se ama e olhe lá!
A pequenez dos bilhetinhos, só é pequenez pra quem está de fora

As horas perdidas, ou ganhas, de falar nada
A chatice (será mesmo?) de ver TV em silêncio
A conversa sobre o carro, o salário, o viver
Onde o vilão pode ser a chuva ou o carro quebrado

Não tem chuvas de pétalas de rosa!
Mas tem o carinho bobo nos cabelos
Tem dar as mãos por debaixo da mesa
Nada cinematográfico, nada Hollywood!

Tem os beijos sinceros, os abraços
O “Eu te amo” cheio de verdade e prazer
Tem os olhares que trazem o sorriso ao rosto
A não perfeição, muito mais cheia de graça

No cinema tem trilha sonora correta
Não se beija ao som de “Come as You Are”
Mas se para o carro na calçada pra beijar!
E dane-se a música que está tocando

Fica o cinema então, com desencontros e partidas
Que escrevam sobre amores delirantes de mil noites
Que atores jurem amor sem esquecer do texto
Eu? Eu amo sem roteiros e sem “The End”!

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Natimorto – Lourenço Mutarelli

22/11/2011 Resenhas de Livros

Conheci o Mutarelli pra valer quando ganhei o Jesus Kid, outro livro do cara, só sabia até então que ele tinha escrito o romance Cheiro do Ralo e atuava no filme. Mas Jesus Kid merece uma resenha só pra ele.

O natimorto foi outro presente. Esse, não reserva tanto humor como Jesus Kid, mas é tão rígido quanto. Em natimorto um agente encontra uma cantora que sua voz de tão sublime não é audível por qualquer pessoa. Segundo o agente é preciso uma certa elevação de espírito para poder ouvir a unicidade do talento da moça, não bastando a maluquice o tal agente relaciona os arcanjos do tarot com as mensagens que vem atrás do cigarro. Isso mesmo, aquelas que dizem que de tanto fumar o pinto cai.

A trama é desenvolvida ai, entre as mensagens do cigarro e os dois personagens, o livro tem linguagem simples e o modo como foi escrito deixa a leitura bem fluída. O formato favorece a história ser adaptada no teatro e no cinema e foi. Começou com uma peça e depois foi a vez do filme. A peça eu não tive oportunidade de ver, mas o filme sim. O próprio Mutarelli atua e é o personagem central da trama, no livro o Agente, no filme ele tem nome, mas quem fala sobre filme aqui tá de ferias, diz ai Eudão. Então não vou deixar pra uma próxima, quem não viu vale ver. Só pra se situar melhor sobre a história e o filme segura ai o trailer.

Vale ver o filme, e vale ter o livro na estante. O livro é um cuidado só, do uso do papel, da capa e das tímidas ilustrações em algumas páginas do livro. Nota 10 para companhia das letras com esse projeto editorial. O preço é salgado pra um livro, mas a qualidade dele se justifica.

Nota 8 pro livro do Muta.

O Natimorto – Um musical silencioso
Autor – Lourenço Mutarelli
Editora – companhia das letras

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As conclusões

21/11/2011 Zumbido Fugaz

Apego tão ardente
de um desejo desenfreado
que não é controlado
desejo que só é crescente.

Músicas serão compostas
um agir todo desenhado
nem um pouco alinhado
numa mistura de apostas.

Beijos que são roubados
os dedos ficam dançantes
brincam tão delirantes
dois corpos alados.

Encanta essa incerteza
adormece nossa razão
deixa tudo em incompreensão
elimina qualquer esperteza.

Não faz morrer cedo
pode trazer temores
devassas e suaves dores
esse amor que me dá medo…

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Moço da pele morena dos índios da Linha do Equador

Era verão, de um verão que te derrete a alma de tão intenso. A alma dele podia-se perceber pelos olhos. Ah, os olhos! E junto com eles vinha o andar confiante, arrogante, de quem conhece os caminhos – mesmo que não os tenha trilhado.

Era mais moço que eu, mas estar em sua presença me fazia menina, mulher, mãe. Fazia-me pequena, mas de uma pequenice gostosa, daquela que é
cuidada, acalentada. Ele tomava as rédeas da situação, deixando-me sem meu maior poder: a arte de comandar. Mas, mesmo assim, eu tentava. E como tentava.

Tentava não ligar, tentava não me importar, tentava não sorrir debilmente após cada encontro, cada telefonema, cada mensagem. Tentava. E foi tentando que esse moço da pele morena dos índios da linha do Equador, derrubou os muros ao redor de mim.[quote_right]o cigarro fazia parte de nós, assim como eu, naquele momento, naquele ponto, fazia mais parte dele que ele próprio.[/quote_right]

Poderia dizer que foi lentamente, pouco a pouco, um passo de cada vez. Não foi. Foi brutal, foi instantâneo. A febre, a doença, o desespero que há tanto são minhas companheiras, se tornaram minhas donas. E pra disfarçar o alvoroço dentro de mim, eu esnobo, finjo indiferença, viro atriz.

Ele percebe e me puxa pra junto, pede, sussurra pra eu não ter de fazê-lo. Calma, pequena, vai ficar tudo bem – ele diz. E eu penso se, ao menos, ele soubesse aonde está se enfiando.

Minha casa está uma bagunça, cuidado. – disse-me na primeira vez que saímos juntos. Se você pudesse ver dentro de mim, acharia isso pouco, pensei. Esse moço da pele morena dos índios da linha do Equador tinha como o hábito, o fumo – e eu também. E, naquele verão, o cigarro fazia parte de nós, assim como eu, naquele momento, naquele ponto, fazia mais parte dele que ele próprio.

 

Debora Alvares

Ela, o que dizer dela! Primeiro que ela não cabe em 1, 2 ou mil frases!
Ex-fumante (até o próximo cigarro) estudante de economia da UFSCAR, viciada em duas vidas, nessa que a gente vive teclando e na outra que a gente vive errando.
Me disse uma coisa bem bonita (e cafona): “… fala que, apesar de eu lidar com numeros, navego no mundo das palavras…”
O Corvo deseja que seja o primeiro de muitos!
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Numa sexta sem breja…

18/11/2011 Backstage

Eles sofrem o frio e a chuva, são como sombras magras deitadas na rua. Me parece que conhecem o lado ruim e só esse lado, mas nem devem sofrer mais, acredito…[quote_right]Perdem o pudor, junto com o resto de sanidade[/quote_right]

Pedem, roubam, vendem, cheiram, viver mesmo nunca vivem!

Sorriem sorrisos desfalcados, para o espelho dos vidros dos carros fechados, fechados como os olhos que passam ser ver… São só crianças!

Os mais velhos tem histórias pra contar! E parece que precisam somente de platéia, seus violões sem cordas viram orquestras e suas histórias sem nexo óperas, que desfilam entre as pessoas e os carros, e uma platéia imaginária e feliz.

Perdem o pudor, junto com o resto de sanidade, e assim dançam sozinhos pela praça da Sé, ao som de qualquer música, ou de música alguma…
Também brigam pelo naco de pão jogado aos pombos, e incrivelmente, sorriem um riso infantil, só podem estar vendo uma beleza que sou tão treinado que não vejo mais…

Me perdi uma vez num monólogo de um deles, numa sexta sem breja numa praça qualquer. Ele me contou histórias sobre horóscopos, espaço, aliens, riqueza, família perdida, cavalos alados, Janis Joplin, perda de emprego e Raul Seixas. Numerólogo, fez contas malucas com minha idade e a dele, e legou aos céus o nosso encontro furtivo.

[quote_left]Sorriem sorrisos desfalcados, para o espelho dosvidros dos carros fechados[/quote_left]Tocou Pink Floyd num violão sem cordas, e sorriu o riso mais sincero do mês quando aplaudi.
Lá pelas tantas disse que eu era anjo (logo eu!) e me deu um dos anéis que levava nos sujos dedos

Mas fez mais, a cada história repetia essa frase: “Sempre escreva seus sonhos”

Montei na moto, fui embora, pelo retrovisor vi ele dançar atravessando a rua… foi inveja o que senti!

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Recordar é viver

10/08/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

Relatividade do silêncio

Muito do teu silêncio matinal me ignora mais do teu silêncio na madrugada me encanta todo teu silêncio em abraço me fortalece um silêncio entre beijos me anima esse silêncio de olhares esclarece sempre te digo que tudo é relativo inclusive o teu silêncio meu amor…   PS. A imagem contida aqui é uma obra […]

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08/08/2011 Gritos do Nada

Sonhos da rua…

Andei me esgueirando pelos cadafalsos da vida Quis com força e com fúria perder-me nas ruas sujas Onde meus gestos serão soltos da vergonha repressiva E serei, com roupas limpas, o preferido alvo das putas Nas calçadas perdidas folhas parecem crianças (ou o contrário) Sobre o vento que gela a alma de quem caminha e […]

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01/09/2016 Gritos do Nada

E fica tudo igual

Ninguém se mexe Ninguém resiste E fica tudo igual Ninguém se mete E só assiste E a merda vira normal […]

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11/10/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Embarquei num ônibus qualquer

Embarquei num ônibus qualquer, não me importa o destino, itinerário, horóscopo, como anda minha sorte e nem se a viagem será longa ou curta. Tenho um único pedido, que não seja circular. Ninguém quer voltar pro mesmo ponto. Eu também não. Hoje não terá atrasos, chamadas telefônicas, nem e-mails respondidos. Embarquei num ônibus sem saber […]

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26/07/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Simulando senoides pela manhã

Hoje olhei pra larva que se contorce no banheiro. Simulando senoides nas redondezas do ralo. Deve achar uma delícia a água que escorre da ducha quente. Se contorce na luz gostosa da manha. Olhei com inveja pro verme cheio de vigor. Estou exausto, frívolo, inerte. Mudo e carcomido pela rotina devastadora. Ela cheia de vida […]

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25/11/2014 Zumbido Fugaz
Nietzsche me faria perder o sono com o bem e o mal

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Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: