03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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Júlia

10/05/2013 Colunas - Zumbido Fugaz

Eu escrevia um artigo sobre como prestar os primeiros socorros para cães e gatos, algo meio estranho que meu chefe solicitou, mas muito útil. Então me surgiu a dúvida: excessão ou exceção? Talvez nunca tenha escrito essa palavra, pois nunca fui um cara de exceções, mas sim um cara normal que estava estudando medicina veterinária por ser tradição na família, fazendo meu estágio, contribuindo com matérias para o Jornal do Grande ABC igual o meu pai fez que saia para o Happy Hour com os amigos, que pirava com os shows do Luan Santana e um pagode no final de semana com aquele perfume do Antônio Banderas…

-E aí Júlia, como se escreve exceção?

-Escreve-se com E-X-C-E-Ç-Ã-O.

-Obrigado.

Mas no fundo no fundo eu poderia considerar Júlia uma exceção, sabia? Eu tenho descendência alemã por parte do meu pai e italiana por parte da minha mãe. Imaginem que eu tenho os olhos incrivelmente azuis e cabelos ondulados negros. Portanto atraio muitas mulheres, modéstia a parte e não nego que já aproveitei muito isso. Mas conheci Júlia nessa redação. Uma mulher realmente fabulosa. Tem trinta anos e é totalmente dependente de qualquer coisa, nunca quis se casar, tem uma beleza que digo ser um tanto diferente, tem marcas da vida. Ela sofreu por um longo tempo por leucemia, seu corpo tem história, pontos por causa de cirurgias, é magra, aparentando uma fragilidade incontestável, seus cabelos são ralos e deixa-os presos, tem por volta de 1,60m. Ela é psiquiatra e gosta de ajudar pessoas com tendência a suicídio se tratarem, penso que seja pelo motivo de ela mesma já ter pensado em fazê-lo inúmeras vezes.

As pessoas da redação comentam que ela era sorridente e muito religiosa, mas quando um tumor se alastrou por sua mãe e ela faleceu, Júlia se revoltou contra Deus, pois sua mãe era a maior devota que já havia conhecido e ela então doou todas as imagens de santos que tinha em sua casa para uma paróquia carente, mas falam que na verdade ela as queria queimar. Exatamente um ano após a morte de sua mãe, ela descobriu sua doença e passou por momentos terríveis. Alguns acreditam que é a ira de Deus, outros acham que é o destino de sua família. Eu acho uma crueldade com alguém tão doce…

Tentei sair com ela, a convidei para uma balada, mas ela não foi. Criei uma emboscada, uma amiga dela marcou com ela em sua lanchonete favorita, mas quem apareceu foi eu, mas ela se revoltou e saiu chorando, dizendo ser uma brincadeira de muito mau gosto. Ela sempre pensa que eu estou tirando sarro da sua cara, pois em todos os momentos quando passam mulheres elas me deliciam com os olhos e ela não se acha o bastante para um homem com o meu porte e tão jovem. Meu desejo por ela é estranho, juro que não é compaixão, até ouviria Smiths por ela, que descobri esses dias que era uma banda, pois ela ao menos duas vezes no mês usa uma camiseta branca deles com uma calça jeans desbotada e All star vermelho que me deixam louco para tirar cada peça de seu corpo.

-Guilherme, termina logo isso!

Ah como eu gostava quando ela me interrompia nas minhas fantasias, era como se quisesse vir participar da minha loucura…

-O que é amor para você Júlia?

-Um sentimento inventado pelo ser humano para se sentir menos culpado, mas não se engane este não existe.

Eis que Júlia ferra comigo outra vez. Queria dizer o que penso em seu ouvido, mas ela não deixa que eu me aproxime, talvez pense que eu seja um maníaco, um filhinho de papai idiota, mas não sou mesmo. Sou o homem que vai dar alegria a essa mulher!

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Minha surda, egoísta, vaidade.

06/05/2013 Sonhos Viciados

Não quero estraçalhar a sua carne,
Mas eu quero ser a minha última consequência.
Pode ser impossível ou devastador.
Um punhado carregado de dor, doença ou demência.

Só quero um suspiro alucinado, autêntico e arbitrário.
Pode ser egoísta e vaidoso.
Pode ser um fim, doloroso ou dantesco. Um fim.

Meus suspiros em caixas, homens de família.
Demente arbitrário, onde dorme suas feridas?

Eu não quero ser sua dor, mas vou ser minha minha última consequência.
Minha surda, egoísta, vaidade.

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Após o amanhecer

05/05/2013 Gritos do Nada

Eu sinto seu beijo no meio da tarde
É impossível, eu sei, mas eu sinto
E é tão real que o desejo em mim arde
Te quero mais que a vida… não minto!

Joguei fora minha razão entre seus beijos
E razão nenhuma jamais quero ter
Fiz coisas que não acredito pelo desejo
De lhe ter pra mim e nunca te perder

Jogaria pela janela qualquer convicção ou certeza
Por seu sorriso ou seu abraço abdico até de mim
Finjo ser enorme, um homem sem fraquezas!
Mas fico sobre seu braço, fraco, se me quiser assim

Existem dias que o meu desejo supera tudo
Quero seu corpo, sua boca, seu sexo… sua alma
E seu olhar, suor, saliva e pelos são meu mundo
E apenas ter você pode me trazer a calma…

Não me negue nunca o seu beijo, braços… seu amor
Sem você o mundo é um lugar impossível de viver
Deite na cama, abra os braços, e espere meu calor
Seu amor é um sonho que continua após o amanhecer.

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Promessas de fim de ano

03/05/2013 Colunas - Zumbido Fugaz

Hoje meu chefe chegou e me chamou…

-Hey, me ajuda a escolher uma imagem para a divulgação da festa para o dia dos namorados?

-Dia dos namorados?

Oh sim, já estamos no início de maio e já temos que começar a pensar na propaganda para esse dia dos namorados que só comemora-se por aqui, nesse país, em junho. Congelei por um momento e pensei…

Céus, já estamos quase no meio do ano, daqui a pouco é dias das mães, festas juninas, dia dos pais, primavera, Hanami, Halloween, proclamação da república, Natal e blá blá blá… E eu que fiz tantas promessas de fim de ano.
Disse a mim mesma quando os fogos se espalharam pelos céus que não ia mais a padaria toda manhã comprar um maço de cigarros, ao invés disso iria levantar um pouquinho mais cedo para caminhar, ia fazer uma bateria de exames para me certificar de que tudo está em ordem, ia visitar mais frequentemente minha tia que me criara com tanto carinho, ia participar de uma oficina de cinema que um amigo apresentava aos sábados… Mas sabe o que eu fiz?

Tirei a roupa branca no dia 2 e continuei vestindo a camiseta cortada do Kurt Cobain, comprando meus cigarros e mais cinzeiros para enfeitar a casa, dormindo até além da conta, quase perdendo e de fato perdendo a hora por vezes e aos sábados indo a Paulista, Augusta, qualquer lugar aonde as pessoas não se importam com seu cheiro meio velho e modos… Larguei meu mestrado sobre o Pasolini e continuei trabalhando nessa agência rindo das modelos bizarras, bebendo cerveja com alguns colegas menos frescos, comendo cookies…

Talvez a mudança não venha só porque é ano novo, mas você tem que sentir que algo tem que mudar, você tem que acreditar nessa mudança. Claro que todo esse ritual de fim de ano é interessante, é importante, é necessário… Pois quem trabalhou duro, quem teve decepções, quem não conseguiu ainda tudo que deseja, precisa de alguma verdade para se agarrar e essa é a verdade que o Ano Novo nos traz… Renovação, fé, esperança, das quais eu tenho acredito há seis anos e não consigo me mover. Estou petrificada, esperando um milagre, um amor, uma ventania, um tsunami… Só algo que me vire do avesso e me mostre algo realmente relevante para continuar a viver…

-May? Você tá bem?

-Estou sim Pedro… Me desculpe, tive uma boa ideia para a campanha…

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Recordar é viver

19/07/2013 Gritos do Nada

Ya no queda nada

Não conheço mais ninguém que queira ouvir minha história A tristeza, já distante na memória, confunde real e surreal Então abro a garrafa e misturo o álcool a tudo Aos sucos, as dores, as histórias e a gelo, muito gelo Pra ficar frio como era ela… como era… E ainda é, e ainda lembro e […]

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09/03/2014 Sonhos Viciados

O espanto de Roy Lichtenstein na bunda da morena carnavalesca

Calça pop-art. Na cidade que reveza entre a pressa enfurecida de quem vai entrar no ônibus e a lentidão da garoa fina. O espanto de Roy Lichtenstein na bunda da morena carnavalesca. Morena ruiva. Wellaton cereja. […]

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17/05/2018 Gritos do Nada
A rede social não é rede é quase espelho A bolha cria narcisos que sempre certos

Essa vai pro feice

18/11/2013 Gritos do Nada
Enche o copo, o peito, a cabeça... e no final fica vazio / Como o copo, o peito e a cabeça no final do longo dia...

Perdido

17/05/2011 Coletivo - Colunas

Coletivo Um Oito – A anarquia do silêncio

Esse é um blog de poesias baratas então o video está em segundo plano por hoje, mas da um play e lê a parada do dia! Vou sujar esse mundo!Vou dizer o que quiserVou gritar palavrões pela rua! Elevar o tom de voz…Pra dizer coisa atrozAo perdido, ao mendigoAo povo que entra no trem… Vou […]

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24/07/2013 Gritos do Nada

8 – Importâncias Desimportantes…

8 anos tinha quando vi pornografia… E ainda 8 anos passaram até ver de verdade 8 foram as decepções da minha vida Que ignoradas eram na imaginação dos 8 anos Aos 8 anos a primeira namoradinha… Que com 8 anos nem imaginava ser minha 8 são as direções apontadas na bússola Então 8 são as […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: